Recentemente perdi bastante peso, oito quilos para ser precisa.
Para uma mulher do meu tamanho, representa 12,3% da massa corporal, o que é bem significativo.
Não posso dizer que eu estava feliz mais gordinha, perdendo roupas, cansando mais na corrida, tendo mais dores, mas a balança do custo e benefício estava equilibrada.
Meus lanches da tarde eram doces, meus pratos fartos, meu rosto estava liso e corado e pernas grossas não me incomodavam.
Até que os exames médicos emitiram um sinal de alerta.
Pressão arterial disparou, colesterol aumentou, começo de gordura na carótida, válvulas tricúspide e mitral disfuncionais.
Cardiologista puxando a orelha e me intimando:
“Tem que emagrecer. Vou lhe receitar umas canetinhas para ajudar no processo”.
Foi sem canetinha mesmo, pois não sou louca de rasgar dinheiro.
Então vieram as reações.
“Eu também queria, mas não consigo”, “Estou tentando! “Não repito o almoço”, “Queria a sua força de vontade”, “Parabéns!”.
Meu marido de 70 anos, aproveitando a minha onda de entusiasmo, falou:
“Ah, não posso comer o segundo pedaço, preciso perder a barriga”.
Fiquei ali pensando, algo que faço demais, o porquê de ele se privar do prazer por conta de uma barriguinha saliente.
A saúde vai bem, as roupas servem, ele não trabalha com a imagem e tem uma mulher ao lado que parou de se preocupar com a aparência há anos.
Não me importo com a barriga dele, me importo com a forma como ele me trata, respeita e apoia, e estou nem aí para julgamentos e críticas.
Finalmente cresci e parei de doer por bobagens, só permito a dor de verdade, que sei bem, vem ensinar.
O sobrepeso lhe deixa muito incomodado?
É recomendação médica?
Vai fundo.
Difíceis são os primeiros dias, depois, como tudo na vida, acostuma.
Agora, se você chegou naquela idade que a gente perde colágeno, equilíbrio, força, viço, mas ganha a paz de finalmente ser o que se quer ser de verdade, sem mentir em entrevista de emprego, sem sorrir tanto com vontade de chorar, sem ter que ir pra balada pra tentar se divertir, sem medo de ficar sozinho.
O que são uns quilos a mais?
Problema ou liberdade?
Se for um livramento desse mundo carrasco.
Vá ser feliz.
Agora é o que importa.
Mônica Becker Dahlem é publicitária, jornalista, escritora. Barbara, Frida, Caderno Literário Ajuris, Casos de Sucesso SEBRAE.
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