
Dos meus dezesseis aos vinte e muitos anos, o álcool era uma constante em meus finais de semana. Lua em Sagitário, sempre gostei muito de festas, de me rodear de amigos, de celebrar a vida… e a bebida estava, não no centro, mas habitualmente presente nesse contexto.
Baladas, churrascos, festas de faculdade, comemorações, encontros com amigos em bares, jantares: sempre acompanhada de uma cerveja ou um vinho (desde o começo da minha vida adulta não bebo destilados e nada além de vinho, cerveja ou champagne).
Já fiz muita loucura, admito, mas nunca achei que minha relação com a bebida fosse problemática, afinal, olhava ao meu redor, e a grande maioria das pessoas tinha a mesma conduta: aos fins de semana, bebe-se. Bastante.
Faz alguns anos, decidi, por livre e espontânea vontade – e ressacas que mais pareciam doença – revisitar esse antigo hábito. Por que eu precisava beber em situações sociais? Algo tão normalizado pela sociedade – todos sabemos os malefícios e prejuízos, tanto individuais como coletivos, do álcool – e, ao mesmo tempo, tantos sambas que cantam sobre a boemia. “Amigo nunca fiz bebendo leite, amigo não criei bebendo chá…”
Nesse tempo, diminuí drasticamente o consumo de bebidas, e houve períodos em que escolhi não beber. No começo, achava que seria muito difícil interagir com as pessoas estando sóbria – em contextos em que todos estavam bebendo. Sinto uma certa ansiedade social ao chegar nos lugares: quem estará lá, qual será a energia, será que serei bem recebida? Sempre pensei que a bebida mascarava essa sensação, mas percebi que, na verdade, é o tempo que faz esse papel. Em apenas quinze minutos, me ambientando, me vejo à vontade, extrovertida, alegre. Normal.
No começo do ano, optei por ficar três meses em abstinência, com o plano de voltar a tomar uma taça de vinho esporadicamente quando fosse para a Itália, em maio. Poucos dias antes da viagem, descobri a gravidez. Faz mais de nove meses que não bebo, e não sinto falta. Observo mais as pessoas ao meu redor, sem julgamento, afinal, estive presa nessa armadilha por muitos anos, mas com certa preocupação. Não condeno a bebida em si, mas sim a necessidade crônica que a maioria de nós tem de não estar sóbrio. Acho gostoso e até potencialmente saudável (não para a saúde física, mas mental e social) tomar uma, duas taças de vinho ou latas de cerveja acompanhadas de uma boa prosa, relaxar, se soltar. Mas o consumo desenfreado nos faz viver uma vida com muitos picos, de excitação e alegria, e, depois, de mal-estar e depressão ou ansiedade… E já entendi, que, para mim, a verdadeira felicidade vem da paz e da estabilidade mental.