
A grande sacada desse novo século é realmente a internet. Tal como eu, quem iniciou a escola na década de 60 entende o que é fazer pesquisar e estudar em bibliotecas públicas ou escolares. O chique evolutivo era quem tinha Barsa em casa. Hoje tudo é muito diferente. Está na palma da mão! E a pandemia nos apresentou novas particularidades além da conexão mundial, quando consolidou trabalhos, atendimentos e vendas por esse meio. O lado negro dela é justamente as mesmas tantas facilidades maravilhosas, somadas aos influenciadores que surgem despejando e arremessando conteúdos, numa boa parte nada fidedignos. Por outro lado, as pessoas ávidas ao absorver todo esse teor, contexto e oportunidade com ausência de esforço, criando o próprio autoconhecimento falho ou não, nas mais variadas áreas de conhecimento. Criam concepções, premissas, certezas que podem ter lacunas imperfeitas e falhas. Mas o círculo se fecha, a roda ratifica erros e as visões se acumulam… a vida segue. Novidade nenhuma escrevo aqui, contudo é importante refletir para, quem sabe, mudar com um pouco de trabalho, com a pesquisa, com a leitura aprofundada. Na área da saúde, por exemplo, uma gama de artigos científicos está disponível nesse maravilhoso ciberespaço para validar algum contexto. A saúde pessoal vale isso!
Recentemente li um artigo na revista Nutrients, publicado em 2025 (V.17/2860), que aborda a creatina, o exercício físico e a diabetes tipo 2, no intuito de aprofundar conteúdos recentes para problemas vivenciados nos estágios em nutrição. Logo de início, passei a relembrar a quantidade de produtos digitais com indicações de uso, doses e procedimentos para esse composto formado por aminoácidos. Atentar para o que se lê e vê reflete o cuidado para o próprio corpo. Não esqueça, a regra é básica: saúde é um bem imensurável! Leia, pesquise, entenda o processo e busque um parecer!
Para entender um pouco sobre o que o artigo nos apresenta, busquei fracionar os assuntos para, então, perceber o conjunto e o porquê da importância de todos no contexto. Não é recente a premissa de que o diabetes tipo 2 (DM2) está em franca ascensão entre crianças, adolescentes e jovens adultos, relacionada com a obesidade e o sedentarismo (Web?) e ingestão de alimentos muito calóricos e ultraprocessados. Ela se caracteriza basicamente por uma hiperglicemia persistente, ou seja, pela elevação da glicose circulante na corrente sanguínea de forma constante e obstinada, que se relaciona com a redução tanto da secreção da insulina como da sua sensibilidade nos tecidos periféricos. Em estágio inicial, há uma hiperinsulinemia compensatória e, no tardio, a diabetes tipo 2.
Estudos epidemiológicos demonstram a alta prevalência de sarcopenia em pessoas com diabetes 2. Ou seja, uma relação do declínio muscular e da DM2, como também da ligação à diminuição musculoesquelética, particularmente com a sarcopenia (perda da massa e força esquelética). É percebido que, na sarcopenia, há uma redução da captação da glicose mediada pelos músculos (os maiores responsáveis pela captação de glicose no corpo), o que agrava a resistência à insulina. Por outro lado, a resistência à insulina prejudica a sinalização anabólica (construção, reparação e aumento dos tecidos, como os músculos) e promove o catabolismo muscular, o que acelera a perda muscular. Conseguem perceber a ligação? É uma relação bidirecional que piora a saúde metabólica e aumenta o risco da diabetes tipo 2. No estudo, o pensar se direciona às prováveis intervenções para preservar ou aumentar a massa muscular, para melhorar a sensibilidade à insulina e o controle da glicemia, o que ajuda a ter saúde, e sugere o treinamento de resistência, ingestão adequada de proteínas e agentes que promovam a construção e reparação muscular.
Com o papel central do músculo no metabolismo da glicose, a creatina começou a ser estudada no funcionamento energético e na relação com a insulina. É sabido que aproximadamente 50% das necessidades diárias de creatina é suprida pela síntese endógena (produzida pelo próprio corpo, a maior parte nos rins e fígado a partir dos aminoácidos arginina e glicina) e o restante da alimentação (ou suplementação). Cerca de 95% da creatina do corpo é armazenada no músculo esquelético, que, em conjunto com a creatina quinase, facilita a regeneração do ATP (principal transportador de energia para as células) e, de modo adicional, funciona como antioxidante, mitigando o estresse oxidativo das nossas mitocôndrias (a ‘casa de força’ das nossas células).
Na sarcopenia, temos um desequilíbrio das vias anabólicas e catabólicas das proteínas musculares, o que resulta na perda de massa muscular. No envelhecimento, esse é um risco cada vez maior, acentuado pela diminuição tanto do tamanho como do número de fibras musculares, juntamente com um tipo de infiltração natural de gordura intra e intermuscular. Essa disfunção do tecido adiposo leva ao acúmulo de lipídios nos músculos e à disfunção das mitocôndrias, ao estresse oxidativo e à resistência à insulina. Tal processo, resumidamente, pode levar à obesidade sarcopênica, visto que o tecido adiposo e os músculos se comunicam por meio de citocinas, quimiocinas e miocinas, criando um ciclo inflamatório metabólico perpetuante. A consequência disso é uma inflamação crônica que promove danos às fibras musculares e o comprometimento da regeneração. E, na dinâmica dos carboidratos, com a redução da massa muscular, é diminuída a capacidade de absorção e armazenamento da glicose, que leva à resistência à insulina e hiperglicemia. Mas, com o exercício físico, os músculos produzem miocinas na contração muscular, que auxiliam no funcionamento da glicose, inibem o acúmulo de lipídios, assim como o progresso da sarcopenia, reduzindo dessa maneira, o risco da DM2. O corpo é uma máquina perfeita, que nem sempre administramos corretamente no básico: comida! Consuma alimentos frescos ou minimamente processados, como arroz, feijão, legumes, frutas, com proteínas, carboidratos e lipídios de alta qualidade, todos são pilares para a saúde.
Denise Preussler dos Santos é jornalista (Unisinos), com mais de 180 artigos publicados em jornais do interior. Tem publicações na Revista Teias, Labrys, Revistas Eletrônicas Puc, Revista de Educação, Linguagem e Literatura-UEG Inhumas. É mestra em Educação (Ulbra) e terapeuta integrativa. Atualmente, cursa Nutrição (Uniasselvi).
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