
No decorrer da vida, vamos construindo relacionamentos, sentimentos e muitas vivências. Gostos se formam vindos não se sabe bem de onde. Alguns, a gente, criança, queria se conectar em caminhos admirados, nas fantasias imaginadas, na habilidade que alguém tinha com algo e se queria entender daquilo também. Desde cedo prestava atenção no crochê. Encantava o que se podia construir com uma agulha em gancho e um fio. Hoje minha filha do meio faz trabalhos que não consigo igualar, e com um elo gostoso em trocar pontos e modelos. A caçula, sempre a mil por hora, parava por um livro. Um hábito já cultivado pelo mais velho, que preza igualmente o gosto por filmes e séries. Partilho as três paixões e, com o mais velho, a afinidade na troca de sugestões e dicas.
O primeiro filme em cadeiras de cinema que vi com os três foi no extinto prédio do cinema de Capão da Canoa, hoje um shopping. Os dois mais velhos pela mão, um de cada lado, e a caçula na barriga, um mês antes dela nascer. Fomos ao lançamento do Rei Leão. Choramos do meio do filme em diante e tenho saudades daquele tempo. Hoje, mais longe deles do que gostaria, os pequenos momentos levam a lembranças do tempo fluido e comum que passou rápido demais! Mas dizem que a vida é assim: vai traçando suas rotas e sobram fotos, cheiros, sensações, com o sofá mais espaçoso que antes, com cobertas em menor número e sem mais o cheiro da pipoca.
Revendo alguns ‘clássicos da gente’, selecionei ‘Armageddon’ e ‘Duro de matar – um bom dia para morrer’, com o arrojado John McClane, interpretado por Bruce Willis. Nesse último, ele procura o filho numa história de conflito e guerra nuclear. Me dou conta de que, apesar da sétima arte estar na tela, muita coisa é mais do que mera semelhança com a realidade e o enredo com o detetive John McClane. No mundo real, percebo o quanto estamos envolvidos com a poluição, químicos alimentares e agrotóxicos a nos intoxicar dia a dia, transformando células, adoecendo órgãos, transformando para pior o corpo de todos nós.
Um artigo de revisão da Química Nova de 2009 – 32(4) já debatia esse tema com “Resíduos de agrotóxicos em alimentos: uma preocupação ambiental global – um enfoque às maçãs”. O texto descreve o uso de agrotóxicos na agricultura e demonstra a presença de diversos tipos de resíduos nos alimentos. Repassa o sempre atual e importante conhecimento sobre o manejo de substâncias perigosas junto à nossa comida. O positivo são estudos paralelos com meios para ‘limpar’ os alimentos que são banhados nisso tudo no campo.
Há unanimidade inicial para lavar literalmente tudo, de frutas, verduras, arroz, milho, feijão a sementes e oleaginosas com água corrente logo que chegar do mercado. Porém, também há concordância de que só água não é o suficiente. Parece que nada é. Quanto mais se lê, existe a percepção de que os esforços para a limpeza não chegam perto do efetivo de 80%. É uma melhora? Claro que é, mas o estrago é grande! O processo de limpeza envolve continuidade e determinação: primeiro a água corrente, depois o molho por 10 minutos em solução salina de 1% a 2%, ou seja, tipo 10 gramas por litro de água. Depois, nova bacia com água e vinagre com aproximadamente 2% do ácido por um litro de água. A nova etapa sugere banho com bicarbonato de sódio em 1 grama por litro de água. Concorda a literatura que no mínimo dois desses processos parecem ser necessários para a limpeza, já que alguns defensivos são minimizados por um processo e outros por outro dos processos. O ideal seriam as quatro etapas.
Há estudos também que levam em conta a destoxificação por meio de temperos específicos (mas não há consenso tranquilo). Testes apontam que pó de mostarda sobre uma salada de brócolis, por exemplo, propicia meios ao organismo a ter mais facilidade em processar alguns metais e substâncias tóxicas. O mesmo é referido quanto à pasta de alho cru com óleo de coco, que, ao liberar alicina, o corpo tem ajuda no manejo de agentes nas plantas. Própolis, casca de limão e cítricos, o chilli (capsaicinoides), gengibre (gingerol), cominho e canela (cumarina), chás de cavalinha, carqueja, alcachofra, boldo (por auxiliarem a glutationa, nosso antioxidante natural), a clorella (clorofila), todos na ajuda detoxificante. Todos, de alguma maneira, são apontados com alguma ação antioxidante, anti-inflamatória ou ajudando o fígado a ter meios para promover reações benéficas do nosso corpo frente ao que nosso corpo absorve. Mas não existe milagre.
A certeza existe no sentimento querido dos filmes, dos livros compartilhados, da troca de novos pontos de crochê, do sofá cheio de cobertas, das histórias partilhadas e encantadas que criaram e mantêm esse grupo chamado família, que mantém uma mãe em pé e cheia de significado de vida.
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Denise Preussler dos Santos é jornalista (Unisinos), com mais de 180 artigos publicados em jornais do interior. Tem publicações na Revista Teias, Labrys, Revistas Eletrônicas Puc, Revista de Educação, Linguagem e Literatura-UEG Inhumas. É mestra em Educação (Ulbra) e terapeuta integrativa. Atualmente, cursa Nutrição (Uniasselvi).