
Foram três dias num novo formato de Fórum e Festival Longevidade. Se eu disser que estava tudo maravilhoso, não serei honesta. É preciso melhorar. Mas onde a gente encontra perfeição? Posso afirmar que achei que essa edição teve uma qualidade de temas, de discussão e de conteúdo acima da média. Posso afirmar que, frente a todas as edições já realizadas, essa foi a mais diversa, o que considero um grande mérito. Posso afirmar que essa foi a edição em que enxerguei mais bem representada a economia da longevidade brasileira, apesar de ainda a confundirmos com consumo (mas isso é assunto pra outra coluna).
Participei de menos atividades do que gostaria. Mas era humanamente impossível quando um evento oferece nove diferentes possibilidades simultaneamente. Sempre ficará algo de fora. De minha parte, tive a honra e a alegria de fazer parte da organização de algumas atividades do 8º Fórum e Festival Longevidade, que compartilho abaixo, pois valeram muito a pena cada minuto.
Mesa Cidades para Todas as Idades
No 1º dia do 8º Fórum e Festival Longevidade, tive a alegria e a honra de moderar a Mesa Cidades para Todas as Idades no Auditório FGV. Nessa mesa foi a oportunidade de conhecer cinco distintas e ricas iniciativas da gestão pública, do terceiro setor e privada em busca de fazer uma cidade melhor para todas as idades.
As atividades intergeracionais nas cidades são essenciais porque combatem o isolamento social, promovem a troca de saberes e fortalecem a coesão comunitária entre diferentes faixas etárias.
Estiveram representantes das prefeituras de São José dos Campos, Curitiba e São Paulo, detalhando seus programas na gestão pública. Interessante observar que as três administrações vêm se esforçando para trabalhar intersetorialmente, compreendendo que atuar com relação à longevidade é ir além das questões de saúde e assistência social. A Fundação Vanzolini apresentou o Selo Acolhe, a primeira certificação a unir as normas ABNT NBR 9050, ABNT NBR 9077, A2S e diretrizes do Estatuto da Pessoa Idosa. Finalmente, foi apresentado o app fictício ConViver, que visa estimular a convivência intergeracional, num modelo “Airbnb intergeracional”, em que pessoas seniores oferecem quartos em suas residências para jovens, que se responsabilizam em oferecer seu tempo em contrapartida. Cinco experiências e infinitas trocas entre elas e a plateia, que, ao final, fez perguntas e colaborou com sugestões e propostas.
Sempre vale ser repetitiva: uma cidade boa para pessoas idosas é boa para todas as idades e todas as pessoas, para crianças, para mulheres, com deficiência, neurodivergentes, para todo mundo. Porque é uma cidade capaz de acolher as diferenças e a diversidade.
O futuro que nos cabe no futuro do planeta, com mais amor, solidariedade e tempo compartilhado.
Numa parceria entre o Movimento Lab60+, agora LABoo, com a Global Shapers SP, movimento criado pelo Fórum Econômico Mundial por jovens de 20 a 30 anos, conduzi duas rodas intergeracionais: “Entre Idades: Amor, Solidão e Tempo Compartilhado”, às 11h, e “Qual é Meu Futuro no Futuro do Planeta?”, às 14h, no terceiro e último dia do 8º Fórum e Festival de Longevidade.
Nessas rodas, com a filosofia PROCOPO do LAB, de sermos PROpositivos, COlaborativos e POsitivos, tivemos um espaço lúdico, de diálogo, leveza e alegria entre participantes de todos os sotaques brasileiros. Pessoas idosas, especialistas, jovens, pesquisadores, gestores públicos do Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Piauí, Pará, São Paulo, Santa Catarina, Goiás, Brasília, de municípios de oito mil habitantes à megalópole de 11 milhões, uma imensa diversidade que só um país como o nosso consegue produzir. Todas elas trocaram saberes e visões, aprenderam umas com as outras e descobriram que possuem mais semelhanças e sinergias do que diferenças num clima cheio de IA, Inteligência Afetiva: canto, dança, amorosidade, olho no olho e conversa.
Novos Velhos, Novas Longevidades Vivas
No decorrer do 8.º Fórum Festival Longevidade, ocorreu a Mostra de Filmes 50+. Entre os filmes, foi apresentada a versão “short” do documentário Novos Velhos, produzido e dirigido pelo cineasta Dedé Fedrizzi, que questiona os antigos padrões de velhice estabelecidos e como eles vêm sendo quebrados pelos “novos velhos”. É uma mostra de pessoas e estilos de envelhecer que vai das atrizes Maitê Proença e Suzy Rego ao maquiador Lili Ferraz e ao músico Zé Lourenço. Na sequência, tive a oportunidade de mediar a conversa com dois dos participantes do documentário: a Maria Eugênia Cerqueira, 79 anos, corredora de ultramaratonas, advogada, escritora, apresentadora de TV, e o Beto Pandiani, 69 anos, palestrante, escritor e velejador com expedições que já atravessaram o mundo de leste a oeste e de norte a sul. O velejador Beto Pandiani destacou que viver com um propósito e a espiritualidade são fundamentais para encontrar vitalidade e viver uma vida que valha a pena. Ele não é o único a pensar assim. Maria Eugenia Cerqueira, corredora de maratonas, disse que é preciso buscar novos interesses e desafios, mantendo-se curiosa frente à vida.
Você pode assistir gratuitamente à versão completa do filme Novos Velhos no Cultura Play, streaming da TV Cultura, clicando aqui.
Ao final dos três dias, eu sentia meu corpo moído de tão cansado. De tanto caminhar entre as mais de 200 atividades, meus pés doíam. Minhas costas martelavam pela saudade de sentar. Mas gostei da vibração e da energia do encontro. Senti que essa pororoca de gente, de temas, de debates, de informações, de origens, criou e renovou energia em cada pessoa, que vai levar como uma chama para o lugar para onde voltou. Recriando o presente para imaginar novos futuros.
Eleitor 70mais: seu voto importa e tem valor!
Eleitor 70+: Leve sua experiência para a urna! Não renuncie a ela! O voto é seu direito de participar e opinar sobre o destino do país e do estado. Mais do que nunca o voto das pessoas idosas será decisivo esse ano. Cada voto é importante.
Um incentivo extra em 2026 é que o ato de votar serve oficialmente como cruzamento de dados para a confirmação de vida de aposentados e pensionistas junto ao governo federal.
Veja o site da Campanha Voto 70+, o voto da experiência, um movimento cívico suprapartidário conectado com ativistas da causa da longevidade, preocupados com a grande taxa de abstenção dos eleitores acima dos 70 anos, que chega a ser de quase 60%.
O seu voto é uma afirmação sobre qual futuro você imagina para você e sua família.