
Segundo meu aplicativo de gravidez, já entrei no terceiro trimestre da gestação. Vinte e sete semanas. Ainda faltam três meses, se ela vier com quarenta semanas, conforme a previsão.
O tempo parece passar de forma diferente.
Lembro quando descobrimos que estávamos esperando um bebê, já em formação há cinco semanas. Meu ciclo estava atrasado em sete dias, achei estranho, e, falando com uma amiga sobre, ela sugeriu que eu comprasse um teste. Estava na academia com o Luigi e, depois do treino, passamos na farmácia. Pouco preocupada, afinal, não estávamos tentando engravidar, e achava praticamente impossível isso acontecer. Chegando em casa, fiz xixi no palitinho e, muito rapidamente, a tela indicou um ‘+’.
Sempre que imaginei esse momento (queria ser mãe, só não estava planejando para agora), a ideia era preparar uma linda surpresa para meu marido, uma caixa de presente com uma roupinha, sapatinhos e o teste positivo. Colocaria uma música, choraríamos juntos, seria o dia mais feliz de todos. A realidade foi completamente diferente: a primeira quebra de expectativas do meu maternar. Ainda sentada no vaso sanitário, comecei a gritar desesperadamente, até que Luigi veio e mostrei a ele o resultado. Ele ficou muito feliz, me abraçava e dizia que era o fruto do nosso amor, e eu, em completo estado de choque, só pensava em como minha vida ia mudar. Chorei por quase uma hora, angustiada, com medo, chocada.
Vinte e duas semanas depois (aproximadamente cinco meses e meio), o susto já passou, a vida já mudou, a barriga cresceu, e ainda tenho longos três meses de espera pela frente. Ao mesmo tempo que é muito, também é pouco. Tento me organizar para um futuro desconhecido: pensar no enxoval, ler livros sobre maternidade, organizar as finanças, tentar concluir projetos pessoais, imaginar o parto.
Desde o início da gestação, já desenvolvi aversão a trufas e comidas trufadas; descobri uma hérnia depois de dançar a noite toda em um casamento; tive um grande susto em uma consulta obstétrica; de dois travesseiros passei para seis; percebi que mel e ovo me causam refluxo; engordei mais de oito quilos; me tornei ainda mais antissocial.
Tenho consciência de que as mudanças estão só começando, e tento me preparar emocionalmente para o que vem a seguir. Os medos me rodeiam, mas procuro não sucumbir: parto prematuro, cesariana, UTI, violência obstétrica, me perder de mim mesma… e mais incontáveis cenários negativos. Respiro, tento me distrair com o trabalho, com a escrita, com a minha própria vida. Ainda faltam três meses… só faltam três meses! Seguimos.