
Como colocar o movimento em palavras? Estava antes de eu chegar e continua depois de mim. Até Nobel de Física pode ganhar quem for capaz. Falar da Caminhada das Flores é trazer ao texto um sentimento, uma emoção que o Rio Grande do Sul e Porto Alegre têm. Uma energia com muitas fontes e que se fez esperança em momentos de desolação. Parece um texto e uma caminhada simples, mas carregam a força que é capaz de transformar. Este ano, a Caminhada acontece dia 9 de maio de manhã.
O POA Inquieta esteve presente, de alguma forma, em todas as frentes da calamidade climática de 2024. Pela sua rede transitaram informações e apoios desde os primeiros resgates até a reorganização das cidades e das pessoas. Isso foi possível porque o trabalho de atenção já estava lá, na base. Nas Rodas de Conversa organizadas pelo coletivo, surgiu o desejo de uma homenagem, um marco do impacto da enchente na Capital. Da ideia para a realização da Caminhada das Flores foram poucas palavras e semanas.
Fez-se um ato de cidadania, para que não se viva novamente uma catástrofe igual. Devolver à natureza o que tiramos demora algum tempo, em especial com o descaso ainda comum. Mas temos as ferramentas para prever e prevenir. Que todo ano a gente se lembre da importância de se manter alerta.
Uma ação de homenagem e agradecimento pela força incontestável do voluntariado. Um reconhecimento aos milhares que se doaram quando todos doíam. Toda estrutura que foi montada pela união da população não pode ser esquecida ou subestimada. Que a cada maio a gente se lembre de que esse sentimento existe e salva vidas.
Um momento de solidariedade pelas perdas imensuráveis. Para absorver o impacto da tragédia em muitos braços e abraços. Transformar e seguir.
A primeira edição da Caminhada aconteceu no dia 3 de maio de 2025, exato um ano depois da marca histórica da enchente de 2024. Chamamos e vieram. Em um sábado de sol, caminhamos do Paço Municipal à beira do Guaíba, pela Avenida Mauá. Este ano não será diferente.
A 2ª Caminhada das Flores segue um ato silencioso, suprapartidário, de respeito e acolhimento a toda a população. É só aparecer no Mercado Público, no sábado, dia 9, a partir das 9h30, e se juntar a nós. Às 10h, saímos em direção ao Gasômetro, com o suporte da EPTC. O pedido é para que todos levem flores e, chegando ao Monumento aos Heróis Voluntários, as depositem junto à escultura. Um movimento coletivo e simbólico, mas que carrega aquela tal força capaz.
André Furtado é, por origem, jornalista; por prática, comunicador, de várias formas e meios. Na vida, curioso; nos Irmãos Rocha!, guitarrista. No POA Inquieta, articulador do Spin Música.
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