
A violência está cada vez mais presente no nosso dia a dia. E se manifesta de diversas maneiras, por diversos motivos, sempre cruéis, que provocam infinitas dores, o que assusta muito. Do feminicídio, que virou rotina e aumentou no RS, ao estupro, que é normalizado por criaturas com cargos públicos desprovidas de alma, ao espancamento de crianças, assassinato de moradores de rua e por aí afora, as agressões tornaram-se cotidianas. Basta ver ou ouvir os noticiários, dar uma volta pelas ruas ou passar pelas redes sociais, que esta realidade bate forte na nossa cara. Basta olhar ao redor!
O que leva alguém a colocar fogo em uma pessoa que vive na rua e se protege da chuva e do frio em uma parada de ônibus? Que sentimentos movem criaturas assim? Soma-se a esta rotina absurda a violência policial que, ao desrespeitar qualquer princípio de humanidade e justiça, chega atirando. De onde vem tanta maldade? Atitudes assim não resolvem coisa nenhuma. Só acentuam o desrespeito pela vida, especialmente de pessoas que vivem à margem e lutam por dignidade.
Como estamos em ano de eleições, já está visível o que pode acontecer, porque alguns candidatos já mostraram suas garras de forma grotesca. Esquecem que o fundamental para quem está nesse jogo e busca votos é apresentar propostas consistentes e viáveis que realmente contribuam para a manutenção da nossa democracia, para a educação, a segurança da população e, claro, para a nossa soberania. Diante do que já ouvi e vi, a sensação é de um vazio que angustia. É o confronto pelo confronto. O poder pelo poder, simplesmente. É o dinheiro pelo dinheiro que rola nas transações partidárias. Quem dá mais?
E foi com este sentimento que encontrei as sábias palavras de Ailton Krenak, líder indígena, ambientalista, pensador, poeta, escritor da etnia crenaque, primeiro indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras. Palavras que me acalmaram e iluminaram.
“O mundo da arte, no sentido amplo, está se tornando um último refúgio para aqueles que querem compartilhar a generosidade com o mundo”.
A arte sempre foi e é o meu refúgio, uma aliada imbatível em tempos sombrios! E meu desejo é que este refúgio se expanda cada vez mais e que, por meio da cultura que nos dá raízes e nos fortalece, a gente consiga reduzir a violência e a prepotência dos narcisos que se acham donos do mundo. Ofendem e fazem ameaças com o objetivo de dominar tudo. O que precisamos é acolher quem precisa para iluminar o nosso cotidiano. E a arte é nossa aliada porque provoca reflexões e mudanças ao jogar luzes na escuridão para que a nossa travessia seja feita com sabedoria e solidariedade.
“Arte é quando você coloca um pedaço da sua alma no mundo e alguém se reconhece nela” – De um post no Facebook do ator, mestre de cerimônias e contador de histórias Jairo Klein, um artista que admiro muito.