
Quem acompanha a Copa do Mundo de 2026 certamente percebeu um elemento que se repete em diferentes seleções, posições e marcas esportivas: as chuteiras cor-de-rosa. O que para muitos parece apenas uma tendência estética ou uma curiosidade do universo do futebol revela, na verdade, uma sofisticada aula de Administração, Marketing e Gestão Estratégica.
Em um dos eventos de maior audiência do planeta, Nike, Adidas, Puma e New Balance chegaram ao torneio com lançamentos que compartilham uma característica em comum: a utilização de tonalidades vibrantes de rosa, especialmente o chamado “electric fuchsia”. A escolha não foi fruto do acaso. Ela nasceu de pesquisas de mercado, estudos de comportamento do consumidor, análises de desempenho visual e planejamento estratégico realizado com anos de antecedência.
A primeira lição para os gestores está relacionada à inteligência de mercado. As grandes empresas não trabalham apenas para atender às demandas atuais dos consumidores; elas procuram antecipar tendências e criar desejos futuros. Em um ambiente cada vez mais competitivo, quem espera o mercado apontar um caminho geralmente chega atrasado.
Outro aspecto relevante é a busca pela diferenciação. Durante décadas, a chuteira preta dominou os gramados do futebol mundial. Hoje, porém, a distância entre os concorrentes diminuiu significativamente. Em termos de tecnologia, materiais, conforto e desempenho, as diferenças entre os principais fabricantes são cada vez menores. Quando os produtos atingem níveis semelhantes de qualidade, a disputa migra para outros territórios, como a experiência, a comunicação, a identidade visual e a construção de marca.
Nesse contexto, a cor rosa assume uma função estratégica. Especialistas apontam que ela produz um dos maiores contrastes possíveis com o verde do gramado, tornando os pés dos jogadores mais visíveis em transmissões de televisão, fotografias, replays e conteúdos digitais. Em outras palavras, o produto passa a ser percebido com mais facilidade pelo público, gerando lembrança de marca e ampliando sua exposição espontânea.
Trata-se de um conceito amplamente estudado na Administração: a economia da atenção. Em uma sociedade inundada por informações, não basta ser bom. É preciso ser visto. A atenção tornou-se um dos ativos mais valiosos para qualquer organização, seja ela uma multinacional do esporte, uma indústria, uma empresa de serviços ou uma startup.
Ao mesmo tempo, a Copa mostrou outro fenômeno interessante. Embora todas as grandes marcas tenham apostado em cores vibrantes semelhantes, cada uma buscou criar uma narrativa própria. A Adidas, por exemplo, lançou uma edição especial para Lionel Messi inspirada nas cores da Argentina. A chamada “Último Tango” vai além da performance esportiva. Ela conecta identidade nacional, emoção, exclusividade e legado. O produto deixa de ser apenas um item funcional para se transformar em uma história que gera engajamento.
Essa é uma das principais transformações do marketing contemporâneo. Consumidores não compram apenas produtos; eles compram significados. Marcas fortes entendem que a diferenciação não está apenas nas características técnicas, mas na capacidade de construir conexões emocionais duradouras.
A lição para os administradores é clara. Em mercados onde a concorrência está cada vez mais preparada e as soluções se tornam rapidamente semelhantes, vencer depende menos de fazer algo radicalmente diferente e mais de comunicar valor de maneira inteligente. Pesquisa, inovação, posicionamento e gestão de marca passaram a ser tão importantes quanto a qualidade do produto em si.
A onda rosa que tomou conta dos gramados da Copa não representa apenas uma tendência de moda esportiva. Ela simboliza um novo modelo de competição empresarial, no qual visibilidade, percepção e estratégia caminham lado a lado com desempenho. E, para gestores atentos, talvez essa seja uma das maiores lições de negócios que o futebol pode oferecer atualmente.
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