Qual sua emoção ao ler a obra de estreia de um amigo escritor?
A minha, em relação a André Roca, foi um misto de curiosidade, confiança, admiração e confirmação de expectativa.
Ao receber o convite para o lançamento do Clube das Ritas, na Feira do Livro de Porto Alegre de 2025, fiquei extremamente feliz. Evento ao qual não poderia faltar, pois desejava estar com esse amigo de mais de duas décadas num momento singular de sua vida e carreira.
Na Praça da Alfândega, vivi a inédita espera de quase duas horas de fila para obter seu autógrafo. Valeu cada minuto. Na fila, com o livro em mãos, comecei a leitura em meio às conversas com outras pessoas. Partilhamos vivências com o autor. Afabilidade, dedicação, olhar crítico e competência foram algumas das características que reconhecemos nesse escritor estreante em obra solo.
Sim, estava curioso para saber quem eram as Ritas. A contracapa, assinada por Luiz Antonio de Assis Brasil, nos dá a dimensão da confiança de uma produção literária de qualidade, bem como aquela admiração silenciosa e agradável que se traduz num sorriso ao manusear o livro após recebê-lo das mãos da pessoa que nos alcançou na banca. Algo sincero que sentimos pelo sucesso de um amigo.
A fila andou, chegou minha vez de abraçar o autor, fazer fotos, elogiar pelo momento, postar nas redes sociais. Essas coisas. Mas a expectativa estava ali, rondando os pensamentos dos criadores (sim, uma das Ritas estava na sessão de autógrafos e você vai conhecê-la, e bem, ao acessar o Clube) e dos leitores. A obra precisava ser lida. O que dirão? O que diremos? O que sentiremos após folhear a última página?
O que posso revelar é a confirmação da minha expectativa numa mensagem pessoal que enderecei ao meu amigo escritor, e que tomo a liberdade de reproduzir.
“Roca: que privilégio te ter como amigo, te ler como um romancista e me deixar emocionar com tua escrita. Após ser absorvido pelas Ritas, concluí a leitura com os olhos marejados.
Tanto a narrativa quanto tua experiência permitiram a mim, como leitor, te enxergar dedilhando o teclado do computador, olhando para cima, após concluir a obra, imaginando como cada pessoa leitora absorveria tuas palavras.
Como jornalista que sou, colega de profissão, me identifico plenamente com as regras e dilemas impostos pela nossa formação, tão bem descritos por ti no posfácio. É possível ultrapassar alguns limites arraigados em nosso pensamento pela prática jornalística? Sim, é. Provastes isso de forma muito criativa nas páginas do “Clube das Ritas”.
Aliás, ao longo do livro eu ansiava por respostas que me foram trazidas no final. Refém que sou do hábito de interrogar, queria os retornos que trouxestes habilmente numa tecitura sensível, honesta, competente e agradável — como tua presença —, do princípio e o fim.
Li o Clube das Ritas em 4 dias, na virada do ano, tal foi a forma como a produção literária me prendeu.
Obrigado. E parabéns!”
As Ritas irão te cativar. Algumas delas você provavelmente conhece. Outras terá a satisfação de adentrar a vida, suas experiências, suas dores, sua resiliência e a capacidade de (co)escreverem a sua existência.
Leia o Clube das Ritas.
Eduardo Borba é jornalista graduado pela PUCRS, pai, integrante de ações para promover a Diversidade, Equidade e Inclusão, como a Odabá - Associação de Afroempreendedorismo e a Comissão Antirracista do Colégio João XXIII. Mestre em Comunicação Social, é especialista em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania
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Foto da Capa: André Roca / Reprodução do Instagram


