
É importante não confundir castelo com palácio. Por conta dos contos de fadas ou coisas do gênero, os castelos podem ser pintados em nossa imaginação como uma morada luxuosa e requintada, pois, sendo o destino ou a morada de belas princesas ou heroicos príncipes, não poderia deixar de ser elegantes e requintados. Mas não é bem assim.
Apesar de serem ambos um teto para a nobreza, os palácios são a estável morada no seio de lugar seguro. Em contrapartida, os castelos são prioritariamente fortalezas, construídos onde se estendem os limites do domínio, onde o invasor ou o recém-conquistado certamente vai fustigar; são erguidos onde o temor é presente e o risco é uma realidade.
Há um castelo em Lousã, região central de Portugal, um baluarte erguido lá pelo século XI por um emir mouro que já se antecipava à chegada dos cristãos. Nele, o muçulmano instala sua filha, para que administrasse aquelas partes de terra ao sul do rio Mondego. Não havia luxo ali. E não era porque os islâmicos não soubessem do que se tratava: o conjunto palaciano de Alhambra (Granada) é fantástico. Também não é porque o patriarca não tivesse riquezas: a região sempre foi fértil.
O forte milenar é praticamente uma torre de menagem (aqueles típicos cubos em pedra de perfil retangular) ladeada por altos e grossos muros. Toda sua área protegida, incluindo a torre, não é maior do que um dos canteiros dos imensos jardins do Versailles ou Belvedere: castelo não é palácio.
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