Tem algumas coisas que a gente olha e pensa: “É sério isso? Existe mesmo?” E sim, existem! Mas o motivo, utilidade e sanidade de quem se sente obrigado ou atraído a participar delas são altamente questionáveis.
⁃ Chá de revelação: Não basta saber o sexo do bebê, tem que pagar mico, ser exibido, histriônico e anunciar pro mundo de forma espetaculosa e desnecessária o gênero do filhote.
⁃ Nascimento compartilhado: A criança tá lá relaxando e a família já cria conta nas redes sociais pra ela. Expõe nudes comprometedores da pequena criatura ainda na barriga da mãe e o rebento já sai da maternidade com uma sessão de fotos nos stories.
⁃ Formatura de jardim de infância: essa é pracabá. Recém saídos das fraldas, nossos pequenos vão direto para a toga. O evento e a comemoração podem custar tanto quanto a mensalidade de um curso de medicina.
⁃ Cruzeiro temático com artistas: antes de qualquer coisa, assista ao documentário “Cruzeiro do Cocô“. Depois disso, se você ainda tiver vontade de ir a um cruzeiro com mais um monte de fãs sem noção pra ver de longe algum cantante, eu te larguei de mão.
⁃ Pessoas biônicas e plastificadas: a sobrancelha de Camaro, a boca quase explodindo de preenchimento, os cílios com metros de comprimento, a demonização facial, as unhas de gel prontas pra coçar e limpar as orelhas e outros orifícios. Esses ciborgues modernos não fazem nada de útil com suas habilidades adquiridas, restringindo-se a selfies e superexposição nas redes sociais.
⁃ Coach pra ficar milionário: esse é o grande negócio do coachismo; vender uma ideia, bem caro, e o único que fica milionário é o próprio coach.
⁃ Humanos fazendo passeios espaciais milionários: pegar carona nessa cauda de cometa é não só imoral, mas também um desperdício desnecessário de recursos de quem tem só dinheiro e nenhuma vontade de melhorar a vida dos seres humanos aqui na Terra mesmo.
Talvez você não concorde com a minha lista, talvez queira acrescentar vários itens, não importa. O fato é que estamos cada vez mais distantes do que é fundamental como seres conscientes e empáticos, valorizando o fútil e desprezando os diferentes de nós. O que o dinheiro e a ostentação uniram, ninguém separa.
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Foto da Capa: Roberto Carlos Oficial / Reprodução do Facebook

