
Os tempos pedem movimento, reflexão e uma boa dose de paciência, atenção e teimosia. Até porque o jogo de poder acontece em campo minado. Há falcatrua por todos os lados, promessas vãs, discursos inúteis, violência e mínimas ações éticas e coletivas. Interesses pessoais e corporativos predominam, na contramão do que pede a ética, a nossa segurança, a nossa saúde e o meio ambiente. Mais uma vez vou falar sobre o movimento pela preservação da rua mais bonita do mundo, a Gonçalo de Carvalho. Uma liminar expedida no início de abril proibiu o início das obras do edifício Tipuanas, no estacionamento do Shopping Total. Segundo o Matinal Jornalismo: “A medida atende a uma ação Civil Pública protocolada pela ONG Princípio Animal. A decisão também determina a apresentação de documentos e licenças relativas ao empreendimento por parte da construtora e da prefeitura. O descumprimento acarreta em multa diária de 10 mil reais”.
Queremos uma administração justa, que respeite o nosso patrimônio!
Um desejo que não importa para quem governa o município. Continuamos na expectativa. O desrespeito segue, apesar de todas as medidas já anunciadas. Nesse caldeirão insano, um rasgo de solidariedade e emoção faz nossa sensibilidade equilibrar. O jogo não está perdido, entre um flash e outro do desmonte anunciado. Há que se ter esperança, repito! Mas esperança só não basta. É necessário agir, combater com firmeza o mal que nos cerca, do micro ao macro. Costumo dizer que basta uma volta na quadra e uma rápida olhada para o entorno que a esperança se esvai. A miséria explode nas ruas e a deterioração dos espaços públicos é evidente. Enquanto isso, a preocupação de quem comanda a cidade é com a entrega de um patrimônio valioso, que é público, para a privatização.
É um governo avesso aos direitos das pessoas, mas elas sabem do que precisam e ousam defendê-los e manifestar sua opinião. É fácil dominar indivíduos sem rosto, frágeis, mergulhados na indigência, na ignorância e no desespero. A educação libertária, aliada à arte que faz pensar, diverte e espalha alegria, é uma ameaça porque está ligada aos impulsos mais sublimes do ser humano: sabedoria e solidariedade. Precisamos ser vigilantes e responsáveis, atentos ao direito à vida com dignidade, respeito, bem estar e lazer. Precisamos olhar para o outro, compartilhar, dividir, trocar. Foi o que aconteceu mais uma vez, com intensidade, no dia 28 de março, final da manhã, em defesa da rua mais bonita do mundo, a Gonçalo de Carvalho. Uma rua arborizada, ameaçada por uma construtora ambiciosa e um prefeito sem escrúpulos, que entrega o patrimônio da cidade como se fosse o dono absoluto de tudo.
Ao ouvir as falas das pessoas que organizam o movimento com muita propriedade e argumentos fortes em defesa da rua, mais uma vez o poeta Carlos Drummond de Andrade veio me estimular – “É hora de recomeçar tudo de novo, sem ilusão e sem pressa, mas com a teimosia do inseto que busca um caminho no meio do terremoto”.
Então, vamos lá porque é fundamental enfrentar este tsunami com determinação, calma e equilíbrio, em defesa das nossas vidas e do meio ambiente tão ameaçado, que já sinalizou muitas vezes o perigo que estamos correndo, não só aqui, mas no mundo! Precisamos de teimosia, insistência e coragem.
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