
Pois Mário Quintana chegou no momento da sobremesa, quando, no final do jantar, um sôfrego orador desfiava as qualidades, as obras literárias e a imensa cultura do homenageado, o qual, na verdade, podia ser perfeitamente comparado ao talentoso Pacheco, como o descreveu Eça de Queiroz.
Pacheco, mais precisamente José Joaquim Alves Pacheco, é um personagem criado por Eça de Queiroz na obra A Correspondência de Fradique Mendes. Ele é apresentado como o símbolo da “mediocridade talentosa” ou do político/intelectual que possui um “imenso talento” que nunca produziu nada de prático ou visível.
Mário, que saíra do Correio do Povo e dera uma passadinha por um bar da Praça da Alfândega, viu que só uma cadeira estava desocupada, exatamente a que estava ao lado do ilustre intelectual, e então não teve outra escolha a não ser puxar a cadeira e nela se sentar.
“Mário” – cochichou, irritado, seu vizinho – “sentaste em cima do meu chapéu”.
E nosso tão querido quanto distraído poeta levantou-se, puxou a cadeira e, ao mesmo tempo, justificou-se: “Desculpe, pensei que fosse um gato”.
Franklin Cunha é médico e membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
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