
Dia 4 de julho de 2026. 250 anos da independência estadunidense. Aqui na Argentina, pela primeira vez, um presidente participou das celebrações da embaixada estadunidense no país. Milei também colocou uma bandeira estadunidense no monumento nacional da bandeira argentina, em Rosario. No Brasil, se eleito, certamente Flávio Bolsonaro fará igual ou pior. Exaltar os EUA já não se trata de viralatismo, mas da agenda de governo dos capachos da extrema direita.
Na geopolítica atual, após certo fracasso de Trump no Irã – sei que a história ainda está longe do final, mas igualmente sabemos que a guerra não foi todo aquele arraso garganteado por ele – está mais do que nítido que, embora ele se coloque como dono do mundo, o laranjão está mais para apto a se impor como dono das Américas. No Brasil, na Argentina, na Venezuela, entre outros, há quem goste dessa coleira. Homens e mulheres obtusos que não se deram conta de que o império está em declínio e que seus últimos gritos serão mais intensos no pátio reduzido da América Latina. Por outras partes do mundo, a Europa se segura como dá, com certo medo da Rússia, enquanto boa parte dos dados vem sendo manipulada pela China.
Geopolítica não é meu forte. Perdoem, fico por aqui. Ainda assim, é preciso saber ao menos um pouco sobre o mundo cão onde se vive. Só queria trazer esse contexto para falar sobre nós, mulheres, porque não somos quem decide nada dessas atividades bélicas e de medições de velhos falos. No entanto, sofremos as consequências nas comunidades pobres em que lideramos famílias, nos eventos climáticos extremos, nas pandemias, na péssima distribuição de renda de um mundo que agora fabrica trilionários, na decadência financeira causada pelas casas de apostas, no silêncio dos bons em relação aos genocídios em curso.
E, como se fosse pouco, para nos ludibriar, tentam resgatar valores que, no fundo, nunca se foram. Me refiro a essa moda estúpida da tradwife. Vou deixar em inglês para que fique nítida a origem da babaquice. Principalmente, é doloroso ver mulheres defendendo que mulheres não deveriam trabalhar e votar. Influencers que, na verdade, estão trabalhando e ganhando dinheiro na disseminação desse engano. É muito doloroso também escutar poucos homens se manifestando contra este despautério. Eles, no entanto, não se calam para se afirmar como vítimas do feminismo. Curioso.
Mulheres, nenhum de nossos direitos está garantido. Nossas forças ainda são desconhecidas, mas nossos direitos ainda precisam de reforço e luta.