
– “Eu sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura”. Essa reflexão de um poema célebre de Alberto Caeiro, um dos heterônimos do escritor português Fernando Pessoa, teve um significado estimulante na minha vida desde que Marlene e eu lemos, já faz muito tempo, em uma camiseta na Livraria Bamboletras, ainda no antigo Shopping Olaria. Compramos, é claro! O que significou para nós? A grandeza de uma pessoa não se mede pela aparência física. Mede-se pela empatia, caráter, capacidade de acolher, entender o outro e o mundo em que vive.
– “Não me chame de ‘anão’. Eu tenho nome, tenho história, tenho sonhos. Cada palavra carrega um peso… e algumas machucam mais do que você imagina. Não é sobre tamanho. É sobre respeito. Ser diferente não me diminui – me fortalece. E o que me define não é o que você vê… é tudo o que eu sou por dentro. Antes de falar, pense. Antes de julgar, respeite. Respeito não é difícil. É só escolher falar a palavra certa”. Este pequeno texto é de uma criança com nanismo, Maria Vitória Reis, que encontrei no Instagram. Fiquei emocionada com o entendimento da menina sobre uma condição que sofre preconceito absurdo e é constantemente bombardeada por piadas indigestas.
– Rodvan Çelik, um voluntário com nanismo, de 90 cm de altura, comprou a própria passagem aérea de Istambul para Izmir com o objetivo de ajudar no resgate de vítimas de um terremoto que atingiu a Turquia em 2020. Sua baixa estatura foi fundamental para as buscas, porque possibilitou que ele rastejasse por frestas estreitas nos escombros de prédios desabados, onde socorristas de tamanho comum não conseguiam passar e as tentativas eram muito perigosas. Saber da nossa condição e não ter medo de mostrar o que podemos fazer é fundamental.
– “Tu empequenou, tia?” Comentário de uma criança, filho de uma amiga da minha irmã Marlene, quando morava em Caxias do Sul. Elas ficaram alguns anos sem se ver e, quando se encontraram novamente, o menino, já crescido, estranhou que a Marlene estivesse do mesmo tamanho e fez esta pergunta incrível. Pergunta que emocionou as amigas e nunca mais esquecemos.
São tantas as pequenas histórias e as maneiras de olhar para as diferenças! E, quanto mais entendermos essas histórias, algumas acompanhadas de olhares curiosos, reagirmos com tranquilidade e firmeza diante dos sentimentos que se manifestam também em comentários, mais fácil vai ficar a vida. O fundamental é não negar a nossa condição e as nossas dores. Valorizar as alegrias que surgem inesperadamente e misturar as luzes que estão dentro de nós com as luzes que estão fora, no outro. E assim iluminar ainda mais a nossa coragem e o nosso andar cotidiano para que a vida seja um andar coletivo, pleno de amor e solidariedade.
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