
Através da nossa voz, seja falando ou cantando, estamos nos comunicando, transmitindo nossa identidade, nossa marca no mundo. Mas, apesar de ser tão importante, quem se preocupa em cuidar da voz? Trago esse assunto porque tive a oportunidade de participar de uma oficina promovida pela Federação de Coros do RS (Fecors), alusiva ao Dia da Voz, celebrado no dia 16 de abril (saiba mais sobre o Dia da Voz aqui).
A iniciativa da Fecors reuniu cerca de 150 coralistas de grupos da Capital e do interior no auditório do hotel do Sesc, na Avenida Protásio Alves. A atividade chamada de “Cantar para se Reconectar” promoveu mais que conteúdo; foi um momento de descontração e reconhecimento do quanto desconhecemos o uso correto desse recurso tão valioso.
A professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Mauriceia Cassol, salientou o quanto o cuidado com a voz costuma ser negligenciado, o que pode comprometer não apenas a comunicação, mas também a saúde.
A fonoaudióloga alerta que rouquidão frequente, cansaço ao falar, falhas na emissão e ter sensação de esforço são sinais de alerta que não devem ser ignorados. Quando persistentes, esses sintomas podem indicar alterações vocais que exigem avaliação mais detalhada de um profissional da área.
A especialista em voz e comunicação acrescenta que manter a saúde vocal envolve hábitos cotidianos que contribuem para o bom funcionamento das pregas vocais. Tomar água, hidratar-se, não tomar líquidos muito quentes (atenção, adeptos do chimarrão!) são cuidados essenciais. É fundamental manter a lubrificação da mucosa, por isso é bom beber água ao longo do dia, principalmente quem utiliza a voz de forma intensa, como professores, cantores e profissionais da comunicação.
Outro ponto que Mauriceia destaca é que devemos evitar o uso excessivo ou inadequado da voz. Falar em ambientes ruidosos, gritar com frequência ou forçar a emissão vocal pode causar uma sobrecarga dessa parte do nosso organismo. O consumo de substâncias irritantes, como cigarro e álcool em excesso, também prejudica a qualidade vocal. Coralistas e cantores, por exemplo, devem fazer pausas durante o uso prolongado da voz. Saber respirar corretamente e ter atenção à postura corporal contribuem para uma emissão mais equilibrada e saudável da voz.
E claro, como todo nosso corpo, a voz também passa por mudanças ao longo da vida. O envelhecimento vocal é um processo natural, mas pode ser amenizado com cuidados contínuos. A chamada longevidade vocal está diretamente relacionada à forma como a voz é utilizada e preservada ao longo dos anos.
Práticas como exercícios vocais orientados (importante ter preparação vocal se usa a voz como ferramenta de trabalho ou expressão), atendimento fonoaudiológico quando necessário e hábitos saudáveis favorecem a manutenção da qualidade vocal na maturidade. O objetivo não é apenas evitar doenças, mas garantir que a voz continue sendo um instrumento eficaz de comunicação e expressão.
Quem canta em coral sabe bem o quão benéfico é fazermos parte de um grupo que canaliza sua atenção e energia no ato de cantar. Em tempos de relações virtuais e permeadas de telas, há muitas vantagens na convivência em vários sentidos quando o campo é repleto de amizades e de cordialidade. Só que não basta cantar, é fundamental saber soltar a voz com técnica. A professora salienta que o canto, quando bem orientado, não só melhora a qualidade vocal, mas também contribui para a longevidade da voz. Ela sintetiza: é uma prática que integra corpo, respiração e emoção — e que pode transformar a forma como nos comunicamos no dia a dia.
Fecors em ação
A ideia da atual gestão da Fecors é promover todos os anos atividades pelo Dia da Voz. No sábado, dia 18 de abril, depois de realizarmos vários exercícios de respiração e aquecimento da voz (aliás, a professora chamou a atenção para a necessidade do desaquecimento também), cantamos a emblemática música do Milton Nascimento e Fernando Brant, “Nos Bailes da Vida”. Foi emocionante! Até porque a junção de timbres, boa parte de vozes femininas, que entoaram a música com arranjo de Eduardo Alves, produziu uma atmosfera sonora tocante.
Alves, que também é presidente da Fecors, reforça a importância de os corais se filiarem à organização para que mais eventos como esse sejam desfrutados. O Estado do Rio Grande do Sul é um dos que mais conta com coros do país, no entanto, boa parte não é filiada à Federação. Anos atrás, lembro que, para cantar em festivais, era necessário que os coralistas tivessem sua carteirinha e o pagamento da anuidade à Fecors. Hoje, é possível tanto ser sócio individual quanto por grupo.
Os corais filiados à Fecors também contam com oportunidades para seus coralistas participarem de apresentações do Vozes da Fecors. Em 2025, os integrantes desse grande grupo cantaram pelo Dia do Patrimônio e outras datas comemorativas. Para o segundo semestre deste ano, está previsto o Concerto da Primavera Fecors, que envolverá cinco meses de ensaios presenciais e online.
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