
Dois dias que não cabem apenas em uma programação formal, cabem em experiência, em vivência e em tudo aquilo que não se mede, mas se sente profundamente.
Estar no Fórum Brasil Criativo, no NAU Live Spaces, nos dias 31/03 e 1/04, foi mais do que simplesmente participar de um evento: foi estar presente de verdade, de corpo inteiro, com escuta aberta e olhar atento. Foi permitir-se atravessar por cada troca, por cada conversa, por cada construção que nasceu e se fortaleceu no coletivo.
E não se tratou apenas de conteúdos, palestras ou agendas estruturadas. Foi, acima de tudo, sobre encontros que marcam, que atravessam e deixam rastros. Sobre perceber, na prática e com clareza, que a economia criativa é feita de gente real, de territórios vivos, pulsantes, de histórias diversas que se entrelaçam e ganham potência quando encontram espaço legítimo para existir, dialogar, se expressar e florescer.
Entre falas, escutas e encontros, ficou ainda mais evidente algo essencial: a economia criativa não se constrói de forma isolada. Ela nasce da articulação constante, da escuta ativa, da troca genuína e da coragem de construir junto. De olhar para o outro não como concorrência, mas como potência, como parceiro de caminho. De entender que o coletivo não enfraquece, ao contrário, ele amplia, sustenta, fortalece e impulsiona processos que, sozinhos, não teriam a mesma força.
A presença potente de Claudia Leitão, secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura, trouxe esse ponto com profundidade, sensibilidade e clareza. Um olhar que conecta política pública com realidade concreta, estratégia com humanidade, mostrando que, quando existe diálogo verdadeiro entre territórios, gestores e quem faz acontecer no cotidiano, a transformação deixa de ser apenas discurso e passa a se manifestar como prática viva.
E é exatamente nesse lugar que tudo ganha sentido e consistência.
Gestores públicos, empreendedores, artistas, criativos e agentes culturais não apenas participaram, mas experienciaram de forma ativa. Foram dias intensos de oficinas, mesas de troca, escutas qualificadas e construção coletiva. Um processo vivo, orgânico e potente que resultou na elaboração da Carta da Região Sul, um documento que carrega muito mais do que diretrizes formais: carrega vozes, vivências, desafios concretos e urgências reais do nosso território.
Com a condução estratégica, sensível e cuidadosa de Luana Emmendoerfer, foi possível vivenciar uma construção colaborativa genuína, daquelas em que cada fala tem valor, cada contribuição soma e cada perspectiva amplia o todo, enriquecendo o processo de forma significativa.
E talvez esse seja um dos maiores aprendizados que ficam: criar junto exige presença verdadeira, abertura, escuta e disposição para construir caminhos que não são individuais, mas sim compartilhados, contínuos e em constante transformação.
Foram dias de conexão viva. Daquelas que não se encerram quando o evento termina. Conexões que continuam reverberando, criando pontes, abrindo novas possibilidades e fortalecendo redes de forma consistente. Dias em que ideias deixaram de ser apenas ideias e começaram a se transformar em sementes. E sementes, quando cuidadas com intenção, tempo, troca e colaboração, inevitavelmente se transformam em movimento, em ação e em transformação.
Saio com a certeza de que estamos, de fato, construindo algo maior. Um ecossistema mais consciente, mais articulado, mais conectado e comprometido com o futuro que desejamos construir coletivamente. A economia criativa, quando enraizada nos territórios e nas pessoas, tem uma potência real de transformação social, cultural, econômica e, sobretudo, humana e duradoura.
Seguimos. Em rede, com propósito. Em movimento constante. Em construção contínua. Em Porto Alegre, com o Ministério da Cultura, mas principalmente com pessoas que fazem tudo isso acontecer.
Porque, no fim, sempre foi, e sempre continuará sendo, sobre pessoas.
Beatriz Job é publicitária, pós graduada em Marketing FGV e em Moda e Consumo PUCRS . Criou a primeira agência de publicidade especializada em moda no RS, é sócia da 2BComfy e da Aloja Colab. Cofundadora do movimento SOMOS MAG e consultora SOMA/SEBRAE.
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