
1 – Coltrane.
2 – O fim da adolescência e a maturidade, condensadas nos fones, enquanto ainda não há sol na manhã branca da serra.
3 – Quem dirá não ser curioso saber quantas vezes ouvi Naima?
4 – Ou A love supreme em seus quatro movimentos.
5 – Tendo a admirar o divino no mundo.
6 – Não sei se há uma espécie inefável de deus, mas o escuto nas peças de Bach, na voz de Nina Simone, no sax de Coltrane.
7 – Em especial no último Coltrane, ao redor de sua prematura morte.
8 – As partículas de água da cerração dão aos pinheiros uns minúsculos e argentos pingentes, não de todo efêmeros quando não há vento como hoje.
9 – Com os olhos no aplicativo, seleciono a faixa Tunji, aproveitando o selo de alta resolução. Na época da faculdade era preciso carregar três ou quatro cds do Coltrane para ter alguma variedade e esperar que as pilhas aguentassem.
10 – O cheiro das pilhas. A textura acetinada das Duracell e as emendas prontas para vazar das Rayovac amarelinhas.
11 – As vezes em que arrisquei o sublime sopro deixando as alcalinas de lado para sobrar algum para o bolo de chocolate.
12 – A manhã segue branca, o súper já se revela na metade da rua.
13 – Como poeta, acredito na transcendência dentro do mundo.
14 – Aprendi isso com Coltrane, independentemente de suas crenças.
15 – A verdadeira arte é comburente para a fé dos outros.
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