
1 – Não fossem os narradores, os parênteses seriam meras explicações mais organizadas de algum ponto.
2 – É a ideia de um avanço de eventos ao longo do espaço e do tempo que dá aos parênteses seu poder de abrir uma outra história.
3 – E por vezes tudo está nesses parênteses.
4 – Abertos em lugares inusitados, que nem sempre parecem capazes de se fechar sem abrir mais parênteses dentro de si.
5 – As mil e uma noites. As crônicas de Nelson Rodrigues.
6 – Parênteses dentro de parênteses que não seria acessório pedir emprestado colchetes e chaves para sua melhor acomodação visual.
7 – Os grandes contadores de histórias, feito meu pai, são mestres em povoar relatos de parênteses sem perder o fio que faz as aventuras humanas ganharem um sentido.
8 – Neste campo poetas são problemáticos. Sua experiência de mundo, sua escrita entende o sentido somente dentro de um parêntese suspenso, que é o próprio poema.
9 – Parêntese. Estive no fim de semana passado em Porto Alegre, a convite do meu amigo Felipe Pimentel, um dos organizadores do Festival Fronteiras (que devolveu à Praça da Matriz sua beleza e vitalidade), para mediar duas conversas nonagenárias: Uma com Donaldo Schuller (que também contava com o filósofo Renato Noguera) e outra com o infinito prosador Ignácio de Loyola Brandão.
10 – Dois gigantes na arte de abrir e cerrar parênteses.
11 – E estavam ainda na programação Javier Cercas, Cristóvão Tezza e Milton Hatoum, três dos grandes narradores da atualidade,
12 – Elos de uma antiga tradição humana, cuja missão é conferir à vida solta uma forma (árvore, prédio — como queiram) onde se penduram os parênteses.
13 – Parênteses que são os desvios que animam as boas histórias e as boas conversas.
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