
1 – Os antigos acreditavam que a boa literatura, em especial a poesia, devia ser decorada.
2 – Para muitos de nós tal papel é exercido pelas canções.
3 – Versos de natureza balsâmica, remédios naturais para esta parte em nós que não dorme, que, entre tantos nomes possíveis, prefiro ainda chamar de alma.
4 – A música verbal dos versos, a música verbal da música.
5 – Boticário. Armarinho.
6 – Versos que nos veem antes que possamos enxergar o que está acontecendo.
8 – Diante das perdas e da nostalgia nossa de cada dia, um meio quarteto de Borges: Murieron otros, pero ello aconteció en el pasado,/ que es la estación (nadie lo ignora) más propicia a la muerte.
9 – Em tantas manhãs desencantadas, de laburo às sete e meia, Drummond: Trabalhas sem alegria para um mundo caduco/ onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
10 – E a letra abolerada de Dolores Duran de Por causa de você.
11 – Um curioso acervo invisível que carregamos, todos nós com nossas pastas laboratoriais, recheadas também com a dureza dos ditados legados por nossos ancestrais e o oportunismo de certos jingles da infância, o importante é chegar bem.
12 – Voltar a decorar. Contra as máquinas que guardam tudo. Guardar nossos baús junto à alma abandonada.
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