
Nesta semana, quando celebramos o Dia do Administrador no dia 9 de setembro, é importante olhar para trás para compreender o caminho percorrido por uma profissão que, embora tenha sido regulamentada no Brasil há pouco mais de seis décadas, está presente em praticamente todas as etapas do desenvolvimento econômico e social do país.
Administrar não é uma atividade nova. Desde as primeiras grandes organizações humanas, a capacidade de planejar, organizar recursos, coordenar pessoas e tomar decisões esteve relacionada à realização de grandes empreendimentos. O que mudou, ao longo do tempo, foi a complexidade das organizações e a necessidade de transformar essas práticas em conhecimento sistematizado e em uma profissão.
No Brasil, esse processo ganhou força a partir das transformações econômicas e institucionais ocorridas, especialmente a partir da década de 1930. A industrialização, a expansão das empresas e a modernização do Estado fizeram crescer a demanda por profissionais preparados para lidar com estruturas cada vez mais complexas.
Durante a Era Vargas, o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) teve papel importante na modernização da administração pública, estruturando processos relacionados a orçamento, contabilidade, compras, recursos humanos e organização administrativa. A experiência também ajudou a consolidar a percepção de que a gestão exigia conhecimento e formação específicos.
Em 1944, foi criada a Fundação Getúlio Vargas (FGV), inicialmente com o propósito de contribuir para a formação de pessoal qualificado para a administração pública. Poucos anos depois, o país avançaria na institucionalização do ensino de Administração. Em 1952, a FGV criou a Escola Brasileira de Administração Pública (EBAP), no Rio de Janeiro, em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), considerada a primeira escola de Administração Pública do Brasil e da América Latina. Em 1954, surgiria a Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP), voltada à formação para o setor empresarial.
O movimento não ficou restrito ao eixo Rio-São Paulo. A formação em Administração também começou a se espalhar pelo país. Entre as instituições pioneiras está a Escola de Administração da UFRGS, em Porto Alegre, criada na década de 1950, que integra a própria história da formação dos administradores no Rio Grande do Sul.
Mas o grande marco da profissão viria em 9 de setembro de 1965. Naquela data, foi sancionada a Lei nº 4.769, que regulamentou o exercício da profissão de Administrador e estabeleceu as bases para a criação do sistema de fiscalização profissional. Dois anos depois, o Decreto nº 61.934, de 1967, regulamentou a lei.
A escolha do 9 de setembro para celebrar a profissão, portanto, não é casual. É a data que marca sua regulamentação no Brasil. Em 1968, o Conselho Federal de Administração instituiu oficialmente o Dia do Administrador, por meio da Resolução CFA nº 65/68. Mais tarde, em 2014, o Dia Nacional do Administrador também foi instituído por lei.
De lá para cá, a Administração deixou de ser compreendida apenas como um conjunto de técnicas aplicadas às empresas. O administrador passou a atuar em organizações públicas e privadas, no terceiro setor, na indústria, no comércio, nos serviços, no agronegócio, na tecnologia, na gestão financeira, em recursos humanos, logística, marketing, planejamento e em tantas outras áreas.
Essa evolução acompanha a própria transformação da sociedade. Hoje, administrar significa lidar com mudanças permanentes, novas tecnologias, inteligência artificial, sustentabilidade, diversidade, riscos, pessoas e recursos cada vez mais complexos. Significa tomar decisões em ambientes nos quais não existe uma resposta pronta.
Por isso, celebrar o Dia do Administrador não deve ser apenas uma homenagem à categoria. É também uma oportunidade para reafirmar o valor da boa gestão para o desenvolvimento do Brasil.
Empresas precisam de administradores para crescer de forma sustentável. Organizações sociais precisam de gestão para ampliar seu impacto. E o poder público precisa administrar bem seus recursos para transformar arrecadação em serviços, políticas públicas e qualidade de vida.
A história da Administração no Brasil é, em grande medida, a história da profissionalização da gestão. E essa trajetória ainda está sendo escrita.
Que neste 9 de setembro possamos reconhecer quem escolheu fazer da gestão uma profissão, mas também lembrar da responsabilidade que acompanha essa escolha: administrar é tomar decisões que produzem consequências. É cuidar de recursos, pessoas e oportunidades. É transformar planejamento em ação e objetivos em resultados.