
Ah, quantas emoções foram vividas nessas eleições! Uma gangorra de sentimentos. E as porradas e restabelecimentos continuam, mesmo depois do resultado anunciado. Como o lado racional de muita gente foi colocado para trás, proponho percebermos se sintonizamos com a energia de cada manifestante ou de cada manifestação, antes de nos posicionarmos. Seja nas ruas, nas buzinas ou em alguma postagem de rede social.
O que emana a postagem pedindo boicote a quem pensa diferente?
Onde isso tudo pode desembocar?
Uma conhecida de mais de 40 anos postou no FB que quem votou no candidato diferente do dela poderia desfazer amizade, pois não comungava dos mesmos valores. Candidatos recém-eleitos atiçaram para as pessoas não usarem serviços, não comprarem produtos de quem não segue a mesma cartilha ideológica. Mais de 400 denúncias de empregados foram feitas no Ministério Público do Trabalho devido ao assédio de patrões só nos últimos dias. Namorada desfazendo a relação porque o namorado comemorou a vitória de Lula. Mãe, que não fala com a filha porque ela postou o L nas redes sociais.
Enquanto os relés eleitores exacerbavam seus ressentimentos e ódios multifacetados, o postulante à presidência fugia do Brasil com a família. E ainda vi uma postagem comentando que o cara precisava mesmo sair do Brasil, pois ele estava sendo injustiçado.
Qual o significado desse contexto?
O que podemos aprender com isso tudo?
Pois eu proponho que todos nós aproveitemos para dar uma chegada aos cemitérios nos próximos dias, quando, no dia 2 de novembro, se celebra o finados. No final das contas, como seremos lembrados depois que virarmos pó?
Independentemente da escolha espiritual, da religião de cada um, o nosso fim nesse planeta sofrido é o mais certo de todas as incertezas da jornada.
Se parte da nossa existência é ser massa de manobra, já pensou a serviço de quem e do quê estamos entregando nossa energia? O que estamos espalhando por onde passamos?
O sistema em que estamos inseridos prega muitas armadilhas para cairmos feitos patos, tatus e passarinhos. Saber transitar entre algoritmos, arapucas e provocações é um dos desafios desse tempo de sociedade líquida, sociedade de risco e em metamorfose, em que tudo pode mudar de uma hora para outra.
E +++++++
Meus sinceros sentimentos a todos que foram ameaçados e às famílias que tiveram entes queridos com a vida ceifada devido a perseguições e à violência nessas eleições, especialmente os indígenas (saiba mais aqui) Álvaro Ferreira, Alexandro Brandino e Silvano Domingos Candoia mortos no RS; além de Marcelo de Oliveira da Rocha, engenheiro ambiental e mestrando na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que morreu após ser agredido em Santos, na madrugada de 24 de outubro de 2026. Ele voltava de um evento político e usava um adesivo de apoio a Lula.
No Mato Grosso do Sul, comunidades indígenas denunciam uma escalada de violência após o segundo turno das eleições presidenciais, envolvendo assassinatos, atropelamentos, ameaças de morte, ataques racistas e até ameaças de envenenamento da água utilizada pelas comunidades. Os relatos envolvem os municípios de Naviraí, Coronel Sapucaia, Tacuru e Nioaque.
Todos os textos de Sílvia Marcuzzo estão AQUI.
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