
Sou assistente social de formação, com pós-graduação em Psicologia do Esporte, Saúde do Trabalhador, mestrado em Ciências Sociais e trabalho com associações e cooperativas de catadores em Porto Alegre, prestando serviço de assessoria.
No início do ano de 2019, passei pelo processo de luto de ter perdido minha mãe. Na metade de 2018, eu estava em busca de adaptação à vida, tendo uma nova realidade surgindo, cheia de ajustes e novos desafios, quando, em meio a tudo isso, tive um reencontro com a minha orientadora da graduação, a professora Adriane Ferrarini.
Juntamente com um convite para participar de uma seleção de mestrado, veio também o convite para participar de um coletivo de pessoas que têm vindo buscar alternativas e soluções para diversos segmentos da cidade de Porto Alegre. E assim eu ingressei no coletivo POA Inquieta, nos denominados spins Sustentabilidade e Resíduos, grupos de áreas afins com minhas atividades profissionais e do mestrado (no qual consegui qualificação). Após conhecer estes grupos, passei a participar de outros spins e, durante a trajetória no coletivo, conheci a jornalista e artista Sílvia Marcuzzo, uma pessoa que, pela mão, me inseriu de uma forma tão generosa no spin Resíduo, dividindo seus conhecimentos.
Passamos pela pandemia com diversas ações de auxílio aos catadores de Porto Alegre, por meio de rodas de conversa, visitas de apoio, palestras e entrevistas para veículos de comunicação. A partir disto, ela me entregou o bastão da responsabilidade para ser Articuladora do spin Resíduos, onde sigo até esta data.
A vida pós-pandemia nos aproximou muito do mundo virtual e nos distanciou do presencial. As rodas de conversa cessaram e o spin se fortaleceu pelas trocas online na plataforma de rede social, onde diariamente temos postagens dos participantes trazendo suas angústias e informações, além de um grande debate de ideias muito interessante.
O coletivo também atuou fortemente em ações nas enchentes que atingiram Porto Alegre, em 2024, e continua com discussões sobre ações de prevenção, mudanças climáticas, e pressão junto aos gestores públicos para ações efetivas de prevenção e contenção.
O coletivo POA Inquieta proporciona também às pessoas formarem grandes teias de contato que, por vezes, se tornam oportunidades de trabalho e construção de projetos promissores em diversas áreas do conhecimento. O coletivo possui também alguns projetos de destaque, entre outros, que envolvem coletivos e instituições e que podemos exemplificar pela relevância: um deles é a Missão a Medellín, que anualmente reúne pessoas que se deslocam em grupo para a cidade colombiana para conhecer as experiências transformadoras ocorridas por lá.
O coletivo já se inspirou e implementou em Porto Alegre ações que deram certo por lá e servem de espelho para serem replicadas ainda em outros locais. Outro projeto realizado em parceria foi o “Escuta que faz bem”, executado por voluntários no período pós-enchente para escutar as pessoas atingidas pela enchente, suas experiências, vivências, dificuldades e superação.
Estou no coletivo há sete anos e ele vem me abrindo portas profissionais; contato com pessoas com uma diversidade enorme, além de descobrir e procurar desenvolver outras habilidades, como, por exemplo, a escrita, que tem me permitido publicar meus artigos, periodicamente, na plataforma Sler desde 2024, por meio da coluna do coletivo POA Inquieta.
O coletivo está aberto a todos, sem seletividade, preconceitos e intolerâncias de qualquer espécie. Ele é de total pluralidade. Faço eu agora um convite: venha ser um inquieto junto a nós. Garanto que vai ser bem legal te ter aqui conosco!
Todos os textos de membros do POA Inquieta estão AQUI
Simone Pinheiro é articuladora do POA Inquieta e mestre em Ciências Sociais.