Eu e meus grupos no WhatsApp. Outro dia, um parceiro, bem meia-direita, postou essa aí:
E o Lula vai para o seu último mandato; não tem concorrente forte. Meu filho, Tiago, 48 anos, é lulista ferrenho. Ele acha que o fator determinante ao voto não é o político em si mesmo, mas o lado humanitário; aí o Lula dá de relho nos Bolsonaros. Um bom tema para uma crônica, pois deixa uma reflexão aberta…
Crônica, crônica mesmo, não sei se vai sair daqui para a frente. Mas vou tentar refletir sobre o que diz o Tiago, que, provavelmente, votou no Lula lá (sem provocação, por favor…) em 1994, na segunda derrota do petista, já que, naquele ano, completou 16.
Portanto, o provocador – no bom sentido – destas mal digitadas estará, no dia 4 de outubro, fazendo o L e digitando 13 na urna eletrônica pela sexta vez. E pode se tornar um eleitor tetracampeão…
Mas não é bem sobre a vitória do Lula (meio como um torcedor, já cheguei a escrever aqui que Lula poderia ganhar ainda no primeiro, mas foi antes dessa cobertura das atividades do Lulinha) que quero tratar hoje.
É sobre esse lado humanitário dele, Lula, apontado pelo Tiago como fator determinante de mais uma subida do petista na rampa do Planalto.
Quem acompanha o recém-iniciado horário eleitoral e a cobertura jornalística da campanha de cada candidato, com certeza, nota que o mais preocupado em tratar gente como gente é o Luiz Inácio, filho da dona Lindu, viúvo da dona Marisa, marido da Janja, pai da Lurian, do Marcos Claudio, do Sandro Luís, do Luís Claudio…
Claro que eu não esqueci do Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, enrolado aí nas armações da lobista Roberta Luchsinger. Filho mais velho do presidente, virou, por suas supostas ligações com Roberta, o estilingue – a velha funda – a disparar as maiores pedradas na candidatura do Lula.
E até nessas denúncias contra o filho, Lula tem mostrado esse “lado humanitário” destacado pelo Tiago. O pai presidente não abandona o filho. Mas também não transforma a paternidade em privilégio. Lulinha, culpado, vai pagar pelo erro. Do mesmo jeito, aliás, que o pai, preso por mais de 500 dias… Ao contrário do ex-presidente, que ameaçou trocar até o ministro da Justiça para impedir investigações contra seus amigos e parentes…
Vamos aos outros candidatos… Tem um, o Renan Santos, que, quando fala de gente, promete banho de sangue, reserva R$ 6 bilhões para construir presídios, ameaça com regime de exceção nas favelas e afirma: prendeu, matou!
Zema e Caiado também acreditam que é só prender, construir presídio e endurecer a repressão para garantir segurança pública…
Na caminhada eleitoral, o que deveria incentivar a gente a sair de casa para votar, mais do que a obrigação, é o direito de sonhar, o direito de olhar – e ver – mais do que esse presente embaçado por tão intensa troca de acusações, ameaças, descrença no país e na capacidade do povo de enfrentar e vencer dificuldades.
Por enquanto, pelo menos, quem tem oferecido a possibilidade desse direito de sonhar é o Lula. Ninguém como ele – até porque está exercendo a Presidência da República pela terceira vez – tem, com todos os erros que possa ter cometido, tanta coisa feita pelas pessoas. Nenhum dos outros candidatos – até pelas origens de cada um – tem tanta solidariedade como o Lula.
Não dá, ainda, para garantir que Lula ganhe mais essa… Mas também não se pode negar. Ninguém conquista a Presidência da República três vezes diretamente, elege e reelege a primeira mulher presidente e chega à quarta disputa à toa…
Então, Tiago, além desse lado humano, tem o lado competente do Lula, que deve superar os erros cometidos por ele nesses tantos anos no poder. Afinal, se não tivesse alguma competência, teria participado, direta e indiretamente, de todas as eleições desde 1989, conquistado três vitórias e ajudado a eleger e reeleger a Dilma?