
Eu não preciso estar doente, com os dias contados, para finalmente absorver o conteúdo dessa vida-escola.
Demorei mais do que devia, pois aprendizado, você sabe, não é receita de bolo.
Mas não precisei estar com os dias contados para minhas fichas, finalmente, caírem.
Sempre tive um pé na terra e outro no espaço, mas o que vi, senti e presenciei neste mundo virou os alicerces das minhas verdades.
Como Charles M. Duke Junior, o astronauta da Apollo 16, eu apertei o botão foda-se e não preciso mais do aval de “normalidade” das pessoas ou da NASA para acreditar no que acredito.
As pessoas precisam estar naufragando nas próprias escolhas, engolindo água, desesperadas por se salvar, para enxergar além do dinheiro, do poder, da ganância, da própria humanidade e da ilusão de que elas nunca irão “acabar” nesta terra.
São aqueles que não têm fé, são gananciosos e extremamente apegados à matéria.
Acumulam dinheiro, bens, estocando poder em gavetas escuras e sujas.
Como para esses, a morte está fora de questão, quando ela é sentida mordiscando os calcanhares, os “pré conceitos” que estão enraizados na alma, caem, um a um, como dominós no chão da sala.
Ou não.
Então, eles vão acertar as contas, que não são em espécie, lá nas provas de recuperação dos que rodaram de ano.
Tivemos recentemente um exemplo desse comportamento insano e poluído, por meio de um galã de cabelos lustrosos e porte atlético, que pensou ter a chave mágica da ostentação e delírios.
Porém, ele não foi impedido pela luz da autoconsciência, mas sim pelo impedimento alheio de seguir firme e forte nos seus devaneios.
Quem sabe ele saia pastor da reclusão e passe a ludibriar mais uma centena de cidadãos?
Ou vai repetir o ano e refazer as provas na outra dimensão.
Na época da minha escola física (não espiritual), eu nunca rodei de ano, mas corria ensandecida, pelos corredores do colégio Farroupilha, colando em provas, jogando cadeiras pela janela, tendo os maus elementos como seguidores das minhas estripulias.
Só era exemplo dos professores de português, pois supostamente respeitamos o que amamos.
Nessa época, alguns dominós já estavam tombados dentro de mim, mas precisei de mais umas três décadas para submergir do meu oceano de ignorâncias terrenas.
Hoje, não me acho superior a ninguém, apenas acendi uma lanterna potente que me faz enxergar o que, muitas vezes, os olhos não veem.
Passei a existir diferente.
O que pode ser chamado de solidão preenchida, sem necessidade de pessoas.
Assim como anormalidade em um mundo maluco.
Mônica Becker Dahlem é publicitária, jornalista, escritora. Barbara, Frida, Caderno Literário Ajuris, Casos de Sucesso SEBRAE.
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