
No dia 9 de maio de 2026, um grupo de pessoas representando o Coletivo POA Inquieta e também representando a população gaúcha, e em particular nossa capital e Região Metropolitana, reuniu-se no Centro Histórico de Porto Alegre, em frente ao prédio também histórico do Paço Municipal, que hoje abriga o Museu de Arte do Paço.
Entre cumprimentos amistosos, pessoas, grupos e representantes de instituições responderam aos chamados feitos para que fossem homenageados com flores e lembranças os voluntários anônimos que incansavelmente atuaram nas enchentes de 2024 e, de maneira gentil, todos seguiriam em caminhada, com suas flores, num percurso seguro pela Avenida Mauá até o monumento aos heróis voluntários, instalado no também histórico Gasômetro, à beira do Guaíba.
O sentido desta caminhada simbolizou a memória de tudo o que aconteceu no Rio Grande do Sul em 2024, com um recorte especial aqui na nossa capital, onde centenas de pessoas abnegadas arriscaram suas vidas para salvar vidas e atuaram tanto em tendas, instalações e abrigos improvisados para acolher e para amenizar a dor de quem tinha perdido tudo naquele momento.
Antes do início do deslocamento, todos puderam ouvir algumas palavras dos inquietos Cesar Paz, articulador do Coletivo POA Inquieta, e Ricardo Cardoso, escultor, criador do monumento aos Voluntários. Para energizar a todos, a inquieta Silvia Marcuzzo e alguns integrantes do Coral Viva lá Vida realizaram pequenas apresentações. Aos poucos todos foram se dirigindo para o itinerário planejado de menos de dois quilômetros, pela Av. Mauá até à beira da Orla do Guaíba.
E assim aconteceu a caminhada, também reflexiva, para ser ponderada junto ao poder público como providências ou medidas preventivas caso novos eventos possam ocorrer em função de fenômenos climáticos. Ao longo do trajeto, novos afetos e esperanças surgiram para pessoas de muitas regiões da cidade, como o inquieto Marcelo, representante do Piquete Gurizada Campeira, do Morro da Cruz, e jovens, como Felipe Rosinha, de 20 anos, cadeirante e estudante de Ciências da Computação, que, com sua motivação e carisma, contagiou a todos.
Além de aproximar idosos, crianças, adultos e pessoas de outros municípios, como, por exemplo, Sapucaia do Sul e São Gabriel, a caminhada promoveu trocas de experiências de suma importância para que, juntos, enquanto sociedade, sejam agregadas propostas e ações para que cada um faça a sua parte. Num sábado frio, nada impediu a realização deste ato simbólico, importante e que, tão além de presenças, permitiu que cada um depositasse suas flores junto ao monumento. E assim, ao final, enquanto flores eram ofertadas, todos foram contemplados com um lindo momento de canção com a Mãe Bia, mulher símbolo de resiliência, de persistência, que veio de uma região de Porto Alegre duramente atingida, o Arquipélago.
Cantar para todos os presentes, inclusive para pessoas que nem estavam na caminhada e pararam para ouvi-la, Mae Bia trouxe com seu canto um sinal de coragem, de perseverança e, com sua figura simbólica, por meio dos cultos afros, ela mostra que é possível sensibilizar as resistências às intolerâncias religiosas e mostrar que um povo que sofreu tanto com as águas de 2024 teve força, fé e superação. Que a caminhada de 2027 convide novamente as pessoas, agregue outras mais, continue fraterna, inclusiva, participativa e reivindicatória. Bora!!!
Simone Pinheiro é assistente social, mestre em Ciências Sociais e articuladora do POA Inquieta.
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