
O mercado de trabalho no Rio Grande do Sul tem diversos vieses. Em Porto Alegre, a transição demográfica é latente: tememos um retorno à base da pirâmide (menos jovens entrando no mercado de trabalho) e um crescimento populacional acelerado, migração constante da população e imigração.
Entender esse mercado é vantajoso aos candidatos, mas principalmente às empresas e profissionais de Recursos Humanos.
A participação de profissionais com mais de 50 anos é vital para os setores de serviços e indústria em Porto Alegre, mas o etarismo também impede que muitos talentos experientes ingressem em novas camadas profissionais.
Outra realidade é que o Rio Grande do Sul se tornou um polo para imigrantes.
E, por fim, candidatos que residem nos subúrbios de Porto Alegre ou na Região Metropolitana enfrentam barreiras de mobilidade. A demografia exclui bons talentos, seja pelo custo de transporte ou pré-conceitos.
Como profissional de RH atuando com recrutamento e seleção, enfrento esses obstáculos. Mas também temos como responsabilidade educar empresas e candidatos durante o processo, combater o etarismo criando uma mentoria reversa, combinando a energia da juventude com a experiência dos veteranos. Apresentar o foco na competência técnica e comportamental, eliminando filtros de vida, consciência ou nacionalidade nas etapas iniciais para mitigar visões inconscientes, retirando pré-conceitos nessa etapa do processo.
Alternativas para superar a barreira do deslocamento, problemas ambientais e segurança, adotar o trabalho híbrido (quando possível) ou uma mobilidade auxiliar agressiva, ampliam o leque de talentos e ajudam na retenção desses profissionais.
Mas um ponto muito importante do processo é a etapa de integração para os profissionais. Criar mecanismos que se retroalimentam traz mais candidatos e cria interesse de outros profissionais.
Já para os candidatos, entender como se apresentar, destacando-se profissionalmente, é algo essencial atualmente, assim como entender as ATS (sistema de rastreamento de candidatos) pode ser um grande diferencial entre conseguir ou não a vaga desejada.
A estratégia do recrutamento e seleção em empresas do Rio Grande do Sul depende da compreensão de que o futuro mercado é uma constante e eterna negociação, posicionando-se de forma diferente, criando conhecimento real e prático. Lidar com os obstáculos demográficos é, acima de tudo, um exercício de empatia e inteligência estratégica.
Outro ponto muito importante: quando vencemos essa barreira, atendemos a empresas e candidatos, também fomentamos a economia e geramos renda.
Nathalia Araujo é especialista em planejamento estratégico, DHO, recrutadora, analista profiler, departamento pessoal e SST. Atua há mais de 19 anos na área de Recursos Humanos, já trabalhou em grupos empresariais, hub, agências de R&S, consultorias de RH e banco. E-mail: nacoletivorh@gmail.com
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