
Alguém esperava de Flávio Bolsonaro atitude mais inteligente do que essa de pedir intervenção do governo dos Estados Unidos no Brasil sob a alegação de ajudar no combate ao crime organizado?
Difícil, não? O primarismo político dele vem de casa… O pai dele, Jair, propunha combater o crime simplesmente liberando a venda de armas para que cada cidadão pudesse se defender dos bandidos.
Naquele tempo, Jair era presidente da República. Vivia fazendo gesto de armas com os dedos e, uma vez — ainda na campanha eleitoral de 2018 — usou um tripé de câmera como se fosse um fuzil para gritar que iria “metralhar a petezada do Acre”. Alguma medida efetiva para o enfrentamento ao crime organizado? Nenhuma.
O irmão Carlos, vereador, com a ajuda dele, Flávio, então deputado estadual, homenageava milicianos e PMs cariocas denunciados por participação em organizações criminosas com medalhas da Assembleia Legislativa. Outro feito de Flávio na Assembleia carioca foi a rachadinha com o salário de funcionários do próprio gabinete.
O outro irmão, Eduardo, perdeu o mandato de deputado federal porque abandonou o emprego. Hoje, vive nos Estados Unidos. Com que meios se mantém, ninguém sabe…
Jair é inelegível. Está preso. Mas, como se fosse dono do Partido Liberal, o PL, indicou o filho Flávio para carregar e defender o legado do governo dele na campanha eleitoral deste ano. A convenção do PL, que precisa acontecer entre 20 de julho e 5 de agosto, não vai passar de um amém ao que determinou o ex-capitão.
E a herança posta nas costas do Flávio Bolsonaro tem o peso das imitações de pessoas afetadas pela Covid, dos ataques a mulheres, de 33 milhões de pessoas que não sabiam quando poderiam ter, pelo menos, uma refeição diária, o peso da desestruturação de programas sociais…
Com toda essa bagagem para explicar, Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente da República, não tem o menor cuidado com as cascas de banana que ele mesmo joga pelo caminho. A tropeçada mais feia foi na tentativa de negar a relação com Daniel Vorcaro.
Vazadas suas conversas com o ex-banqueiro, o Bolsonaro filho saiu com a história de que eram encontros privados, que tratavam do financiamento da produção de um filme sobre o papai Jair… Flávio pediu R$ 130 milhões ao Vorcaro. O filme Dark Horse seria a produção mais cara da história do cinema nacional e bem mais cara que alguns vencedores do Oscar.
O próprio Flávio Bolsonaro admite que Vorcaro pagou R$ 61 milhões. Mas ninguém viu, ninguém pegou essa grana. Sabe-se que a bufunfa passou pela conta de um fundo administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro, que vive no Texas, não se sabe às custas de que ou de quem, numa mansão de R$ 6 milhões.
Bem arranhado nessa tropeçada vorcariana, Flávio Bolsonaro resolveu ir se curar em Washington, mais precisamente na Casa Branca. O encontro com Trump foi quase como um pouquinho de mertiolate no esfolado. Só rendeu uma foto que mais parece um daqueles souvenirs montados que os turistas compram para eternizar passagens por lugares importantes.
Mas o filho 01, pré-candidato, não conseguiu voltar sem outra tropeçada. Lá em Washington, talvez tenha escorregado no molho do próprio hot dog.
Num encontro com o secretário de Estado, Marco Rubio, o homem que sonha ser presidente do Brasil pediu que o governo dos Estados Unidos classificasse os bandidos do PCC e do CV como terroristas internacionais.
Foi atendido.
Ainda curando os arranhões dos encontros com Daniel Vorcaro e da dor de cabeça para explicar onde está o dinheiro do ex-banqueiro, Flávio Bolsonaro agora precisa de tratamento intensivo para se livrar dos hematomas provocados por essa promessa de submissão do Brasil que ele propôs ao governo Trump.
Fora Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo — outro brasileiro foragido nos Estados Unidos —, ninguém viu absolutamente nada de positivo na promoção do PCC e do CV a organizações terroristas.
O resultado da ida de Flávio Bolsonaro à Casa Branca é negativo sob todos os aspectos. Complica a cooperação entre as polícias do Brasil e dos Estados Unidos, cria instabilidade na área de negócios, afeta os bancos e prejudica até o PIX. Qualquer banco ou fintech, descontente com a gratuidade, a velocidade e a capilaridade do PIX, pode alegar que a ferramenta está a serviço de uma dessas organizações. E aí…
Por enquanto, pelo menos, ninguém elogiou o resultado da viagem do 01 a Washington. Nem as lideranças do partido dele. Será que vão comentar?
Ou vai todo mundo se manter longe desse tiroteio de Flávio Bolsonaro contra os próprios pés?
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