
O alvo agora é um advogado goiano de 25 anos, Matheus Menezes Matos*, rapaz que sonha em ser delegado da Polícia Civil. Ele fez o concurso organizado pela Fundação Getúlio Vargas/FGV para a carreira em Minas Gerais. Passou em todas as provas teóricas, discursiva e oral, mas foi reprovado no Teste de Aptidão Física/TAP por falta de adaptações. Não atingiu a marca de 1,65 m no salto horizontal. Sua história teve destaque a partir de março deste ano, quando decidiu fazer uma denúncia para dar voz aos direitos que foram desrespeitados. “Minha luta não foi em vão, mas ainda não acabou”, publicou Matheus. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou-o a refazer o teste físico com adaptações razoáveis, e o caso gerou um grande debate sobre a inclusão de pessoas com Nanismo em forças de segurança. Ao dizer que seu tamanho não é motivo para impedir que ele realize investigações, Matheus viu a situação explodir. Segundo o ministro Alexandre de Moraes, “a banca descumpriu o entendimento firmado pelo STF na ADI/Ação Direta de Inconstitucionalidade 6.476, que estabeleceu a obrigatoriedade de adaptações razoáveis em provas físicas de concursos para candidatos com deficiência”.
Por conta do que aconteceu, piadas agressivas, vulgares e desrespeitosas, feitas por homens machistas e debochados, a partir de visões distorcidas e mesquinhas, voltaram com força total. Escancaram, mais uma vez, o quanto o preconceito ainda contamina a nossa sociedade. Matheus tem todo o direito de ir atrás do seu sonho profissional, experimentar, buscar adaptações possíveis e trabalhar com tranquilidade. O argumento usado pelos ‘machos bombados, de tamanho ‘normal’ – “ele não vai conseguir algemar ninguém nas ruas porque não vai alcançar” – revela muita ignorância e pobreza de espírito. Até porque a carreira policial não se resume apenas a ações nas ruas. Por mais que eu faça críticas às muitas atitudes agressivas dos policiais, sei que a profissão é diversa e deve priorizar a justiça e a ética.
Vamos, então, saber um pouco mais sobre Nanismo
O Nanismo é uma condição física decorrente de uma mutação genética que se caracteriza por uma deficiência no crescimento dos ossos, o que resulta em pessoas com estatura abaixo da média, chegando à idade adulta entre 0,70 e 1,35 de altura. Pode ser detectado ainda na gestação, mas o diagnóstico só é definitivo a partir de testes genéticos após o nascimento. Nem sempre a condição é hereditária. Pode ser recessiva ou uma mutação no DNA, ou seja, qualquer casal pode ter um filho com Nanismo. A partir do Decreto n.º 5.296/2004, passou a ser reconhecido como deficiência física, o que ampliou o acesso a direitos, fortaleceu garantias como acessibilidade, prioridade em serviços públicos e maior inclusão. Falar sobre o tema é promover informação, entender os desafios, combater preconceitos e fortalecer direitos. Cada passo na conscientização contribui para uma sociedade mais preparada para acolher a diversidade. O conhecimento transforma realidades e, quando chega, o respeito cresce junto.
As informações que comento aqui dizem muito da minha vida cotidiana e foi estimulante encontrá-las na primeira postagem de um Grupo de Pesquisas em Políticas para Educação Especial da UFRRJ/Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
É importante reafirmar que não usamos mais a palavra anão porque ficou muito contaminada pelos usos inadequados e ofensivos. Hoje a expressão correta é Pessoa com Nanismo.
*Matheus Menezes Matos não pode abrir mão dos seus sonhos por conta do tamanho. O que precisamos é combater o preconceito de qualquer natureza com mais ênfase e saber que grupos de pesquisa em políticas para a educação olham para estas questões é estimulante. Minha esperança reacende!
Todos os textos de Lelei Teixeira estão AQUI.

