
O que aconteceu de bom na sua vida hoje? Ou ontem, se hoje ainda for muito cedo no dia para fazer um balanço geral?
Nosso cérebro, por uma questão de sobrevivência, tende a se apegar às situações negativas, em uma tentativa de nos proteger. Medo, estresse, ansiedade e raiva são emoções que perduram em nossos pensamentos. Se eu perguntar quais foram os piores momentos da sua vida, aposto que a resposta virá facilmente, pois eles fazem parte de quem você se tornou.
Mas e os melhores?
Em terapia, fui questionada a pensar nos dez melhores momentos da minha vida, naqueles que ainda ressoam no corpo e que eu consigo reviver. Lembrei de alguns marcos, claro, como quando passei na faculdade, ou quando consegui um investidor desconhecido para o meu primeiro empreendimento, ou quando vi a aurora boreal com a minha melhor amiga. Mas tive dificuldade em chegar a dez situações em que me vi felicíssima e realizada, e, sinceramente, notei que a maior parte se encontra há mais de uma década na linha do tempo da minha vida. Será que perdi a habilidade em sentir alegria genuína?
A maioria das lembranças positivas dos últimos anos vem acompanhada de um senso de responsabilidade ou receio de dar conta. Os últimos grandes clientes que fechei na minha agência de comunicação, por exemplo: fiquei feliz, comemorei, agradeci. Mas imediatamente a seguir, comecei a pensar em tudo que eu precisava fazer, e como ia organizar o trabalho com aquela demanda extra, e a alegria foi sufocada pela realidade.
Minha terapeuta, então, me deu a tarefa de anotar todos os dias coisas boas que aconteceram e sentir com o corpo essa alegria, ou gratidão. Ela me disse que nós nos acostumamos muito rápido com tudo de bom que acontece: por exemplo, quando você compra um carro novo ou consegue uma promoção no trabalho. Em poucos dias, aquela alegria inicial passa e você se desconecta emocionalmente da conquista. O exercício de reparar no que nos faz feliz diariamente nos condiciona a também nos apegar não só às tragédias e tristezas.
Ontem foi o primeiro dia, e compartilho, então, com você, caro(a) leitor(a), com a intenção de talvez te inspirar a começar a treinar sua mente para notar os benefícios de se estar vivo(a):
– Poder ver o mar enquanto passeio com meus cachorros.
– Ter saúde e disposição para ir à academia.
– Almoçar o melhor kibe assado do mundo, feito pelo Luigi.
– Ter domínio sobre o meu tempo e poder passar o fim de tarde na praia lendo Armadilhas, o novo livro do meu pai.
– Jantar macarrão com almôndegas feito por mim.
Parece bobo e, de certa forma, é. Mas cansei de ser sabotada pelo meu cérebro, e quero recondicioná-lo a registrar as pequenas alegrias, pequenas conquistas e até mesmo grandes momentos que negligencio em minhas memórias. E a melhor forma é prestando atenção no que acontece ao meu redor.
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