
Um desabafo do ator Selton Mello, publicado em suas redes sociais há alguns dias, tem causado incômodo em muitos dos seus seguidores. Ao comentar sua relação com a Copa do Mundo, ele escreveu:
“Nenhum interesse na Copa do Mundo. Nem sei quando a gente joga. Parei no Ronaldinho Gaúcho, Adriano, Romário, Ronaldo, Cafu, Kaká, etc. Não há mais amor pela camisa nem paixão em defender o país. Não contagiam, não me pegam. Mais alguém assim?”
Não condeno a opinião de Selton. Pelo contrário, reconheço nela um sentimento que também me acompanha há algum tempo. Meu entusiasmo pela Copa começou a se desfazer em 2014, quando a Seleção Brasileira protagonizou uma das páginas mais dolorosas de sua história: a inesquecível goleada de 7 a 1 para a Alemanha. Depois veio a polarização política e, junto com ela, o sequestro da bandeira nacional e da camisa amarela. Os símbolos que antes representavam um sentimento coletivo, agora provocam desconforto e estranhamento em grande parte dos brasileiros.
Até os jogadores perderam o encanto. Já não existem duplas como Romário e Bebeto ou Ronaldo e Roberto Carlos. Novos Pelés e Ronaldinhos Gaúchos se perderam pelo caminho, e o futebol, que um dia foi arte, passou a ser engolido pela lógica do mercado. Hoje, em vez de craques, temos garotos-propaganda de contratos milionários.
Assim como Selton Mello, de quatro em quatro anos eu digo que não vou assistir à Copa. Repito que não me importo com a Seleção Brasileira, que o hexa não fará diferença na vida de ninguém e que existem assuntos muito mais importantes do que futebol. Faço esse discurso com convicção e, por algum tempo, até acredito nele. No entanto, à medida que a Copa se aproxima, acabo me envolvendo de tal forma que, quando vejo, já sei as datas e os horários dos jogos, além dos nomes dos países que enfrentarão o Brasil na primeira fase. Compro pipoca, organizo a casa e, com a família reunida na sala, volto a acompanhar cada jogo da Seleção, como fazia nas Copas de outros tempos.
Toda Copa do Mundo é carregada de memórias afetivas. É a sala de casa cheia de parentes, os gritos dos vizinhos na rua, a aula interrompida para acompanhar uma partida decisiva, o rosto pintado de verde e amarelo. É o reencontro com a infância em noventa minutos.
Por mais que eu não goste dos jogadores convocados, faço como grande parte dos brasileiros, que delegam a eles a esperança de dias melhores. Enquanto o Brasil estiver em campo, sigo acreditando que tudo pode dar certo, mesmo sabendo que, daqui a quatro anos, voltarei a dizer que não acredito mais na Seleção.
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