
Acho que não sei meditar.
Com aquelas regras todas de como entrar no Nirvana, sair do corpo, mergulhar na mente.
Mas eu faço o que eu posso e o que eu posso me ajuda.
Hoje tive que me tornar alada para poder perfurar as nuvens, voar rente ao mar, molhando as mãos na água, tocando nas copas das árvores, me misturando com os recortes das rochas escocesas.
Minhas asas eram douradas, sabe-se lá por quê. Penso que gosto da cor, e meus cabelos dançavam em uma velocidade que me encantava.
Só assim fugi de homens que me assustam e de pessoas que acreditam que a própria felicidade está nas mãos desses homens.
Homens com defeitos, uns mais, outros menos, que fazem essas coisas de homens, como correr atrás de bolas e ganhar muito dinheiro, não ganhar dinheiro com as bolas, mas se enfurecer com os homens que chutam e torcem para as bolas adversárias, que batem nas suas parceiras, estupram as suas meninas, rotulam, agridem e procuram, acima de tudo, o controle e o poder.
Eu não consigo me encaixar em partidos políticos, em dogmas religiosos, rituais ou regras de skincare, de fitness, saúde ou como viver até os 200 anos.
Também não compreendo esses nomes todos que querem definir um sentir que é apenas um sentir, sem dicionário ou explicação.
Mulher cisgênero,
Homem cisgênero,
Mulher transgênero,
Homem transgênero,
Não binário,
Gênero fluido,
Agênero,
Bigênero,
Demigênero.
Não quero mais entender as pessoas.
Tentei com afinco e desisti.
Depois dessas eleições, me senti mais alienígena do que sempre pensei ser.
O ser humano vem fazendo bobagens, pra não dizer outra coisa, há muito tempo.
Guerras, nazismo, destruição do próprio planeta, idolatria ao dinheiro que nunca vai servir de alimento quando tudo se acabar.
Separações.
Esse planeta não é de concorrentes, mas de aliados.
Sobreviver a esse mundo é suportável quando admiramos as artes, dividimos sorrisos, temos braços que nos abraçam, mentes que nos entendem, ideias, valores que nos permitem ter um coração que bate e sente.
O medo é um dos sentimentos mais poderosos na formação de comportamentos coletivos.
Na religião, pode aparecer como medo da condenação, da perda de valores ou daquilo que é considerado uma ameaça à fé.
Na política, pode surgir como medo de perder direitos, segurança, liberdade ou condições de vida.
Quando o medo domina, a capacidade de ouvir opiniões diferentes pode diminuir.
Quando uma pessoa deixa de enxergar o adversário como um ser humano complexo e passa a vê-lo apenas como representante de uma ideologia, torna-se mais fácil justificar a hostilidade.
Isso não significa que todas as pessoas religiosas ou politicamente engajadas ajam assim.
Muitas encontram nessas convicções motivos para praticar a solidariedade e defender a dignidade humana.
Uma pessoa pode defender apaixonadamente uma ideia e, ainda assim, demonstrar pouca empatia.
Um carnívoro pode amar o seu cachorro e comer o seu porco.
O que quero dizer com tudo isso?
Procure a sua própria paz.
E asas para escapar.
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Mônica Becker Dahlem é publicitária, jornalista, escritora. Barbara, Frida, Caderno Literário Ajuris, Casos de Sucesso SEBRAE.