
Campanha foi intensa, a extrema direita forçou ao limite para que se tornasse uma disputa cada vez mais renhida. O dia da votação foi sobressaltado. A usual falta de ética da tradicional elite reacionária catou no seu carcomido baú de maldades os velhos procedimentos para impedir nossa vitória nas urnas. Desinformação, narrativa do medo? Só tem novidade pela tecnologia e propriedade do meio de comunicação cooptado: se antes era uma rádio ou jornal de propriedade de alguma família oligarca (que evoluiu para uma TV), hoje são as plataformas digitais controladas por bilionários norte-americanos. Apedrejar uma liderança política (mulher!) de oposição ao conservadorismo? Não foi a primeira vez: desde as sufragistas, na década de 1930, que a participação feminina pela conquista de direitos é atacada. Suspender linhas de ônibus? Não tem novidade, fizeram domingo em Salvador e já o tinham feito em 1986 quando, em Pernambuco, se tentava reeleger Miguel Arraes.
O chão brasileiro que estava mais próximo da linha do Equador, não pode comemorar o resultado da vontade popular no comecinho do entardecer. Pois, infindáveis cento e vinte minutos de prorrogação do tempo de votação atrasaram nossa festa enquanto aceleravam nossa ansiedade.
Ao longo de toda jornada, nós não esmorecemos. E, no dia decisivo, estávamos mobilizados do centro-oeste ao nordeste, do sul ao norte: passeatas e mais passeatas vestiram as ruas de carmim com enfeites de verde, de amarelo e de um arco-íris de cores. Não desanimamos momento algum!
Viramos um cenário extremamente difícil! O irmãozão do Vorcado saiu do primeiro turno com dois milhões de votos a mais e o apoio (explícito ou tácito) de todos os demais pleiteantes, contando com o investimento de poderosos conglomerados empresariais e financeiros do país e colaboração declarada do governo dos EUA e, ainda com a capacidade de mobilizar massas de pessoas. Todavia, enfrentamos as adversidades com crescentes confiança e força: seja nas praias, nos campos, nas avenidas, nos becos, nos morros e nos asfaltos, estávamos unidos e fortes.
Vencemos uma das maiores batalhas já enfrentadas pelos setores progressistas e democráticos nacionais. Contudo, há outros combates que continuam a ser travados: as terras raras são o novo Petróleo, dizem todos os especialistas, e tanto a história das dificuldades para criação da Petrobrás quanto o assédio que hoje sofre para que seja privatizada, anunciam os enfrentamentos que teremos para manter a exploração dos minerais estratégicos sob o interesse real da nação; o fim da Escala 6×1 foi espetaculosamente aprovado, mas ainda falta sua efetiva implementação; a regulação das Bigtechs (tanto as americanas Facebook, Instagram, Whatsapp, quanto as chinesas, como o Tiktok) não será fácil, vide a dificuldade da União Europeia em legislar sobre o tema.
Portanto, nosso trabalho não se encerrou com o término do processo eleitoral passado. Assim como o nazismo alemão e o fascismo italiano, o grotesco bolsonarismo se perfila à agentes político-econômicos com interesses bem definidos, que não têm a menor dificuldade em modular sua adesão à representações políticas menos obtusas, vide a própria experiência histórica alemã e italiana: parte do grande empresariado que se filiou ao nazifascismo foi o mesmo que se irmanou aos governos sociais-democratas do pós-guerra.
Este é o último mandato de Lula, que além das controvérsias que lhes são próprias, convive com a ausência de consolidas alternativas no campo progressista.
Isso poderia ser até encarado como uma coisa ruim. Porém, por outro lado, essa ausência de personas gratas a substituírem nosso candidato eleito, serve para fortalecermos ainda mais o real protagonista de todas as mudanças que ocorreram e os avanços que ainda vamos conquistar: nós, o povo brasileiro!