
Vivi momentos raros e emocionantes como patrona da 26ª Feira do Livro de São Francisco de Paula. Foram três dias inesquecíveis. Fui recebida com muito carinho e com muito respeito pelas autoridades, pelos professores, pelos alunos, crianças e adolescentes, pela comunidade. Reencontrei amigos, colegas de escola e conhecidos que não via há muitos anos. E as conversas, no palco e fora dele, rolaram soltas, como se o tempo não tivesse passado.
Como mulher serrana que sou, participei ainda do lançamento da terceira edição de “Mulheres Serranas 3 – Legados” (Editora Sesmaria, 2026) e recebi a “Antologia II”, organizada pela Academia Serrana de Letras (Editora Escrita Serrana), livros incríveis, de conteúdos muito bons, que trazem textos meus também. Acompanhei a apresentação da patrona para a edição de 2027 da Feira, Patrícia Leuck, presidente da Academia Serrana de Letras, “uma mulher apaixonada pela família, pela vida, pelas neurociências e, principalmente, pelo desenvolvimento humano”.
E ainda tive a oportunidade de autografar o meu livro “E fomos ser gauche na vida” (Pubblicato Editora), mais uma vez.
Não tenho dúvidas de que “reconhecer a nossa ancestralidade é um ato político e social, fundamental para o resgate das nossas origens e para o fortalecimento da nossa memória e da nossa identidade – um legado para as futuras gerações”. Como sempre, “quero acessibilidade e inclusão, sem dúvida, mas meu desejo hoje é maior e mais urgente – recuperar os direitos que nos roubam a cada anoitecer”. Nessa minha caminhada, os livros são fundamentais, pontes que iluminam as travessias. As leituras me ensinam, me inspiram, instigam, trazem histórias diversas, apontam caminhos e me fortalecem. Uma frase escrita em uma bolsa que ganhei em São Chico traduz lindamente o que senti por lá.
“Até o menor dos livros pode conter um UNIVERSO inteiro”.
Só tenho a agradecer por tudo o que vivi nos três dias em que fiquei na minha terra.
E vem aí a 72ª Feira do Livro de Porto Alegre, de 30 de outubro a 15 de novembro de 2026, o maior evento literário a céu aberto da América Latina, com o tema “Essência que faz histórias”. Nesta edição, vou mediar uma conversa com o arquiteto Luiz Antônio Bolcato Custódio, um amigo muito querido, sobre as Missões Jesuíticas dos Guaranis, sua estrutura e cotidiano. O encontro será no dia 4 de novembro, às 18h, na Sala Vitrine de Lançamento, 2º andar do Clube do Comércio. Logo depois, às 19h, Custódio autografa o livro “Arquitetura e Urbanismo Jesuítico-Guarani na Paraquaria – regras e resultados” (Editora Besouro Box, 2026 / Banrisul Cultural).
Mas é inegável que os tempos não estão fáceis!
Por isso, preciso voltar meus olhos para a democracia e para a soberania do nosso Brasil. Educação para todos, FIES, PROUNI, sistema de cotas, universidades públicas, ciência valorizada, cuidados com a saúde, preservação do SUS. Respeito pela nossa diversidade. Acessibilidade e inclusão. Dignidade para povos indígenas, minorias, negros, pessoas com deficiência, comunidade LGBTQIA+, todas aquelas que não correspondem à normalidade que segrega e escancara a discriminação. Preservação do meio ambiente e das nossas riquezas naturais. Manutenção do Brasil no cenário mundial, sem interferências. Como já foi dito, o Brasil não cabe no quintal de ninguém. O Brasil é dos brasileiros e não queremos descaso, nem retrocesso. Para que todas essas conquistas sejam preservadas, sem deboche de quem não sabe o que é respeito e fez piadas e motociatas em plena Covid-19, a nossa soberania precisa ser mantida.
Ou seria Lula, ou viveríamos na barbárie, sob o comando de alguém que não sustenta o que diz e que nunca teve olhos para o povo.