
Eu também não aguento mais ouvir falar da Copa do Mundo. Mentira, tô com saudade dos jogos de futebol de verdade, das figuras desconhecidas que passamos a ficar obcecados, dos países que a gente não conhecia e passou a admirar e também dos que conhecíamos e passamos a desprezar.
A seleção brasileira jogou? Não lembro bem, inclusive já estava com ranço e torci pra Noruega naquele jogo em que o Haaland balançou a cabeleira e parecia a muralha da China quando o Bruno Guimarães correu direto em direção a ele e tombou (se você não viu, procura o meme porque não é IA).
Mas, para nossa alegria, e às vezes tristeza, teve mais 47 seleções jogando.
Agora pergunto: vocês querem primeiro as notícias boas ou as ruins? Vou começar pelos micos e tristezas, pra vocês terminarem a coluna com as lembranças boas dessa Copa.
Do fim pro começo, a atitude de muitos argentinos, da torcida aos jogadores, foi deplorável. Do suposto (não podemos provar, mas todos nós vimos) favorecimento por parte da arbitragem ao time dos hermanos malvados, que chutavam o amiguinho e iam reclamar pra mãe que o pé tava doendo, por culpa do amigo.
Chegaram na final igual estudante preguiçoso que deixa pra fazer o trabalho na véspera e tem sorte de tirar nota boa porque o coleguinha Messi nasceu com talento esportivo, apesar de também ter atitudes de falta de empatia fora do campo e antidesportivas dentro dele.
Baixaria, antijogo, jogo sujo, discriminação, racismo, chutes, porradas e pontapés. Coroaram com a atitude de criança malcriada, emburrada e birrenta, ficando de costas para o time Espanhol com E super maiúsculo na hora da premiação. Cavaram não só pênaltis, mas a antipatia justificada do mundo inteiro. Infantino capachudo, tira o “Prêmio da Paz da FIFA” do Trump e entrega pra seleção argentina, que conseguiu unir todos os povos contra eles.
Em tempo, não podemos generalizar, pois nem todos os argentinos são assim, e não é apenas a etnia que define o comportamento. Um exemplo disso foi Flaco López, único jogador argentino que não virou as costas para a seleção espanhola na cerimônia de premiação da Copa. Parabéns, seleção argentina. Além de perder, não souberam perder e mancharam o segundo lugar que desmerecidamente levaram.
E o Trump, que patacada!! Interferência na entrada dos times e staffs no país, interferência no cartão vermelho do time da casa, entre tantas outras coisas… Mas, para não fazer essa coluna sobre ele e o ego doentio dele, a cereja do cheesecake: não precisava passar essa vergonha de ter que ser retirado do palco da premiação e ainda ser photoshopado, como aquele ex-namorado da prima que é colocado na ponta da foto de Natal em família pra ser facilmente recortado depois. Mereceu, e muito, as vaias que recebeu no estádio na final.
E a seleção brasileira, hein? Os únicos brasileiros que chegaram na final foram os coadjuvantes da banda Madonna e os Ronaldinhos, numa lembrança meio divertida e meio aleatória do que o Brasil já foi no futebol. A gente já sabia, mas tentou torcer, porque a gente é brasileiro e não desiste nunca!
Mas a verdade é que parece que nem jogou essa Copa, não fossem as lembranças constantes do que o adolescente Ney comeu, defecou ou se usou o uniforme da seleção como pijama em dia de jogo.
Não jogaram, mas teve inundações de notícias, especiais e perfis das WAGs, esposas e namoradas e afins dos jogadores, com seus uniformes igualmente caros e sem noção, muitas fazendo as mesmas poses e exibindo as mesmas bolsas de grife que custam mais que nosso salário anual. Emocionou ver a tristeza de várias, lamentando a seleção não avançar na competição e, consequentemente, não poderem usar os modelitos meticulosamente escolhidos para as ocasiões que não chegaram. Que tragédia.
A tristeza foi tão grande que, com exceção de Danilo Luiz, nenhum jogador voltou pro Brasil no voo oficial da CBF. Dessa instituição nem vou falar porque é babado de coluna de fofoca, mas só sei que deu ruim pro Samir Xaud em casa. Só que, como todo ato moralmente questionável da CBF, da convocação do Neybet ao contrato do Ancelotti até 2030, ele se reconciliou com a esposa. O amor e o dinheiro são lindos.
Ahhh, e não podemos esquecer dela, a estrela mor do futebol brasileiro: não, não é a Virgínia ou o Vini, mas a sócia deles, A Bet! Além de acabar com a vida de muita gente, essa praga acabou com a minha ilusão de que a CazéTV era um canal legal, alternativo e independente de um fofinho simpático e sonhador. E, de novo, parabéns pela coerência do Danilo Luiz, aquele único que voltou pro Brasil no voo oficial da CBF, e também o único jogador da seleção que se juntou à campanha “Block no Tigrinho”, contra bets.
A pausa pros intervalos comerciais, digo, para hidratação, assim como um show do intervalo longo na final, são a cereja do bolo. Quem sou eu pra falar mal da água, esse item essencial, especialmente para os atletas, ou de um show com música e dança? Mas parece que confundiram o futebol com aquele ladrão de nome, o futebol americano e o seu Super Bowl.
Agora, nem tudo são argentinos, trumps e infantinos. Foi bom, e, na verdade, o bem venceu o mal, e teve muita gente boa que vai fazer a gente sentir muita saudade da Copa.
Descobrimos onde é Cabo Verde, torcemos por eles como se fosse a nossa seleção e choramos de tristeza quando saíram da Copa, e de alegria por conhecer o Vozinha, que agora faz parte da nossa família.
Conhecemos o Ro! norueguês e o Haaland, e foi tão bom que, apesar de perder pra eles, alguns dias depois estávamos torcendo, fazendo a remada e curtindo todos os posts do Haaland.
A gente conheceu o Keyne, irmão do Yamal, e a nova obsessão da internet. Quem não se derreteu com a espontaneidade e vibração do menino dançando, festejando e correndo pros braços do irmão prodígio?
Teve também o bilhete carinhoso da equipe do Irã ao partir; a recepção dos mexicanos com os visitantes; as defesas do Vozinha e sua bela história e personalidade; o gol do Lopes Cabral contra a Argentina; as seleções com menos condições financeiras dando um calor nas favoritas; as homenagens dos jogadores como Nico Williams, Vozinha e Yan Diomandé para as mães e irmã; o crescente número de comentaristas mulheres (mas ainda faltam narradoras); a elegância do ser humano e número de gols do Mbappé; as jogadas e cordialidade do Salah; a recepção dos torcedores quando as equipes retornaram pra casa; o corredor de palmas feito pelos jogadores espanhóis para os desaplaudidos argentinos subirem ao palco; a alegria, união e esportividade da seleção espanhola não cedendo às provocações e agressões dos minúsculos e perdedores argentinos.
Agora é se resignar e assistir ao Figueirense, Goiatuba ou ao SER Caxias enquanto esperamos pela Copa Feminina, porque de positivo da seleção brasileira só ficou a imagem do campeão Pelé no telão pedindo amor no mundo e rezar pra que Trump e os argentinos entendam o que é love, love and love.