
Compilado de frases de Fernando Pessoa:
1. O coração, se pudesse pensar, pararia.
10. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual.
14. Tenho fome da extensão do tempo, e quero ser eu sem condições.
21. Haja ou não deuses, deles somos servos.
24. Uns governam o mundo, outros são o mundo.
30. Sou todas as coisas, embora não o queira, no fundo confuso da minha sensibilidade fatal.
33. Somos todos escravos de circunstâncias externas.
34. A arte, se nos liberta dos manipansos assentes e obsoletos, também nos liberta das ideias generosas e das preocupações sociais – manipansos também.
43. Há um cansaço da inteligência abstracta, e é o mais horroroso dos cansaços. Não pesa como o cansaço do corpo, nem inquieta como o cansaço do conhecimento pela emoção. É um peso da consciência do mundo, um não poder respirar com a alma.
48. Para compreender, destruí-me.
53. É humano querer o que nos é preciso, e é humano desejar o que não nos é preciso, mas é para nós desejável.
55. Leio e estou liberto.
58. O ambiente é a alma das coisas.
62. Tenho náusea física da humanidade vulgar, que é, aliás, a única que há.
63. Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra.
68. A consciência da inconsistência da vida é o mais antigo imposto à inteligência.
86. Vivemos um entreacto com orquestra.
90. Reconhecer a realidade como uma forma de ilusão, e a ilusão como uma forma de realidade, é igualmente necessário e igualmente inútil.
92. Nunca pretendi ser senão um sonhador.
93. Multipliquei-me aprofundando-me.
94. Viver é ser outro.
100. Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já não o tenho.
106. O meu orgulho pisado por cegos e a minha desilusão pisada por mendigos.
112. Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso – em suma, é a nós mesmos – que amamos.
117. As crianças são muito literárias porque dizem como sentem e não como deve sentir quem sente segundo outra pessoa.
121. Como todo o indivíduo de grande mobilidade mental, tenho um amor orgânico e fatal à fixação.
142. O que há de mais reles nos sonhos é que todos os têm.
146. Alguns têm na vida um grande sonho e faltam a esse sonho. Outros não têm na vida nenhum sonho, e faltam a esse também!
157. Há metáforas que são mais reais do que a gente que anda na rua.
161. Não posso considerar a humanidade senão como uma das últimas escolas na pintura decorativa da Natureza.
167. Só em nossa alma está a identidade.
200. O quotidiano é materno.
211. Nunca sabemos quando somos sinceros. Talvez nunca o sejamos. E mesmo que sejamos sinceros hoje, amanhã podemos sê-lo coisa contrária.
221. Tenho uma espécie de dever de sonhar sempre, pois, não sendo mais, nem querendo ser mais, que um espectador de mim mesmo, tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
237. Precisar de dominar os outros é precisar dos outros. O chefe é um dependente.
239. Cansamo-nos de tudo, excepto de compreender. O sentido da frase é por vezes difícil de atingir.
244. A sede de ser completo deixou-me nesse estado de mágoa inútil.
251. O desgosto de não encontrar nada encontrei comigo pouco a pouco.
260. A arte consiste em fazer os outros sentir o que nos sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação.
275. O governo do mundo começa em nós mesmos.
283. A liberdade é a possibilidade do isolamento.
304. A fé é o instinto da ação.
316. Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer.
324. Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos.
354. O calor, como uma roupa invisível, dá vontade de o tirar.
357. Regra é da vida que podemos, e devemos, aprender com toda a gente.
363. O amor é a mais carnal das ilusões.
382. Cheguei àquele ponto em que o tédio é uma pessoa, a ficção encarnada do meu convívio comigo.
386. Nenhum de nós queria saber do outro, porém nenhum de nós sem ele prosseguiria.
396. Cada um de nós é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmos.
404. Resume-se tudo enfim em procurar não sentir o tédio de modo que ele não doa.
415. As figuras imaginárias têm mais relevo e verdade que as reais.
427. Deus é bom, mas o diabo também não é mau.
437. Há sossegos do campo na cidade.
443. Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo.
478. Toda paisagem não está em parte nenhuma.
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