
Tentaram fazer você acreditar que eram apenas arranhões.
Mas eram rasgos na sua alma de criança.
Fizeram você acreditar que o seu sentir era uma bobagem, com necessidades bobas em um mundo sem tempo nem amor.
Ser comparado, rejeitado repetidamente por aqueles que deveriam proteger e amar, faz dos olhos críticos dos outros os nossos, e nunca vamos gostar do que vemos.
Quando alguém passou sendo comparado ou rejeitado, é comum desenvolver “uma voz interna crítica” — aquela sensação de provar valor, medo de decepcionar, de não ser escolhido, ou se comparar mesmo sem querer.
A parte difícil é que, mesmo quando a situação passou, o efeito pode continuar dentro da gente.
O ressentimento não é apenas pelo que aconteceu, mas pelo que faltou: reconhecimento, carinho, aceitação, proteção.
A dor de não ser suficiente para receber mais amor e aceitação é grande.
Então, a criança busca outras formas de afeto, nem sempre sadias.
Comida em excesso, grandes períodos de sono, comportamento inadequado na escola com intuito de chamar atenção, mesmo de forma errada.
Quando essa criança consegue buscar outras formas menos doentias de se sentir amada, ela procura em outras pessoas as referências para se sentir válida e valorizada.
Quando adultos, uma parte nossa ainda carrega uma sensação de fragilidade, de perda de valor e de medo de não ser suficiente.
Mesmo que hoje você não se critique muito, fica uma tristeza e dor profunda por não ter recebido mais amor.
Nós somos muitas verdades e, quando uma encosta em alguma ferida antiga, a dor vem com muito mais intensidade.
São os gatilhos.
Alguma situação ou alguém nos faz lembrar e sentir as dores antigas.
A escolha de nos amarmos não é uma questão de egoísmo, mas de sobrevivência.
Escolher a verdade que nos faz bem, escolher olhar para o que nos engrandece, tratar as nossas crianças interiores com carinho, compreensão e amor, encontrar na vida o sentido, são formas de sobreviver e ser feliz.
Os consultórios de atendimento psicológico estão cheios dessas crianças feridas de ontem.
E quem não tem acesso a este tipo de ajuda pode acabar adoecendo fisicamente, tendo relações tóxicas, se sabotando e, inconscientemente, buscando a mesma forma de sofrimento do passado.
Quando, de alguma maneira, temos consciência de estarmos vivendo a mesma rejeição e desvalorização, cabe a nós evitar que alguém ou algo nos coloque de volta naquele lugar.
Não é uma tarefa fácil, mas é possível.
É externar os sentimentos, mostrar aonde dói, reivindicar o que todas as pessoas têm direito e merecimento:
Amor, compreensão e respeito, pois a sua felicidade é apenas sua, ela é construída por você e não precisa ser igual ou validada por alguém.
Mônica Becker Dahlem é publicitária, jornalista, escritora. Barbara, Frida, Caderno Literário Ajuris, Casos de Sucesso SEBRAE.
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