
Em junho de 2026, Lionel Messi alcançou mais um feito histórico ao tornar-se o maior artilheiro da história das Copas do Mundo. O recorde reforça uma trajetória marcada por talento, disciplina e resultados extraordinários dentro de campo. Fora dele, porém, sua carreira também oferece uma valiosa lição para administradores e gestores: a importância de enxergar oportunidades com visão de longo prazo.
Há uma história bastante conhecida no meio empresarial sobre os bastidores da relação entre Messi e a Nike, quando ele ainda dava seus primeiros passos no futebol profissional. Segundo relatos divulgados pela imprensa internacional, uma sucessão de falhas de relacionamento e atenção ao atleta e sua família contribuiu para o desgaste da parceria. Entre os episódios mencionados está a negativa ou demora em atender pedidos simples de materiais esportivos. O que parecia um detalhe operacional acabou abrindo espaço para que a Adidas se aproximasse e construísse uma das parcerias mais valiosas da história do esporte.
Naturalmente, seria simplista afirmar que a mudança ocorreu apenas por esse motivo. Grandes contratos envolvem fatores comerciais, jurídicos e estratégicos complexos. No entanto, a história tornou-se um símbolo de algo que administradores encontram diariamente em organizações dos mais diversos portes: a incapacidade de reconhecer o potencial futuro de um ativo, de um cliente, de um colaborador ou de uma oportunidade de negócio.
A administração moderna exige muito mais do que controlar custos e buscar eficiência operacional. Exige capacidade de antecipação. Exige compreender que nem todos os investimentos geram retorno imediato e que algumas decisões só revelam seu verdadeiro valor anos depois.
O caso Messi é emblemático justamente por isso. Naquele momento, a Nike avaliava um jovem jogador argentino que ainda estava longe de alcançar o estrelato global. A Adidas, por sua vez, enxergou a possibilidade de construir uma relação de longo prazo com alguém que poderia se tornar um dos maiores nomes da história do futebol. O resultado dessa aposta é conhecido por todos.
Ao longo de mais de duas décadas, Messi conquistou títulos nacionais, continentais e mundiais, acumulou premiações individuais e tornou-se uma das figuras mais influentes do esporte. Sua imagem ajudou a fortalecer a presença global da Adidas em campanhas publicitárias, lançamentos de produtos e ações de posicionamento de marca. O valor gerado por essa associação é praticamente impossível de mensurar com exatidão, mas certamente alcança cifras bilionárias.
Para a administração, a principal reflexão está menos no futebol e mais no processo decisório. Quantas empresas deixam escapar talentos promissores porque avaliam apenas o desempenho atual? Quantos clientes estratégicos são perdidos por falhas de atendimento consideradas pequenas? Quantos projetos inovadores são abandonados porque seus resultados não aparecem no trimestre seguinte?
A pressão por metas de curto prazo é uma realidade presente em praticamente todas as organizações. Contudo, quando o horizonte estratégico se limita aos próximos meses, corre-se o risco de comprometer oportunidades que poderiam gerar valor durante décadas.
A boa gestão exige equilíbrio. É necessário administrar o presente sem perder de vista o futuro. Isso significa desenvolver a capacidade de identificar potenciais, cultivar relacionamentos e compreender que decisões aparentemente simples podem produzir impactos gigantescos ao longo do tempo.
Outro aspecto relevante é que o episódio evidencia uma característica frequentemente subestimada nas organizações: o valor da experiência e do relacionamento. Empresas são feitas por pessoas e para pessoas. Nem sempre as decisões são tomadas exclusivamente com base em números ou contratos. Atenção, reconhecimento, confiança e credibilidade também influenciam escolhas e constroem vínculos duradouros.
Ao tornar-se o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, Messi consolidou mais um capítulo de uma carreira extraordinária. Para a Adidas, o feito representa a continuidade de uma parceria construída sobre visão estratégica e capacidade de apostar no longo prazo. Para a Nike, permanece uma pergunta inevitável: qual foi, afinal, o custo de não perceber a dimensão daquela oportunidade?
Essa é uma reflexão que ultrapassa o esporte. Em um ambiente de negócios cada vez mais competitivo, a diferença entre crescimento e estagnação muitas vezes está na capacidade de enxergar aquilo que os outros ainda não conseguem ver. Afinal, grandes perdas raramente começam com grandes erros. Na maioria das vezes, elas nascem de pequenas decisões que deixam de considerar o futuro.
E é justamente aí que a boa administração faz toda a diferença.
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