
Existe uma teoria dos 6 graus de separação. Ela diz que você está separado de qualquer pessoa no mundo por um pequeno número de pessoas. Aproximadamente 6, apenas. Parece pouco, mas a verdade é que esse número pode ser ainda menor, segundo alguns experimentos atualizados, considerando a facilidade de conexão em tempos de redes sociais.
Eu me vi, em duas ocasiões, com apenas 1 grau de separação de pedófilos. Nunca conheci pessoalmente os pedófilos, mas trabalhei e convivi com pessoas que eram relacionadas a eles: uma era da família e a outra, cúmplice do infame Jeffrey Epstein.
Descobri essa conexão semana passada lendo uma notícia e, enquanto ainda me recuperava do susto de saber que alguém com quem fiz alguns trabalhos de moda estava envolvido, citado e aparentemente culpado nos arquivos do Epstein, vi que pedófilos podem morar ao nosso lado, sem ao menos nos darmos conta.
Pois bem, mal me recuperei do susto e vejo a notícia de dois “empresários”, como estão sendo nominados estes pedófilos, serem presos e em seguida soltos, mesmo tendo em poder 100 TB de arquivos de pornografia infantojuvenil. 100 TB, pra ficar claro, são 50.000 horas de vídeo em alta definição ou entre 20 e 25 milhões de fotos em alta resolução.
Estragou meu final de semana. Azedou mais ainda saber que foram soltos, pois “se comprometeram a realizar tratamento psicológico/psiquiátrico, além de pagar indenização e cumprir medidas cautelares”.
Se você não ficou com vontade de vomitar ou completamente indignado até agora, espere, que tem mais. Os nomes dos bunitos não foram divulgados, porque, claro, a lei deve ser seguida e se faz questão de fazer tudo dentro dela, mas acrescente a isso o rigor de quem pode pagar por uma defesa privilegiada.
Pergunto: se fossem empregados dos empresários ou pobres, a lei seria respeitada com tanto rigor na aplicação e condescendência ao suposto arrependimento?
Eu fiquei obcecada pelo assunto e não consegui entender o porquê. Diz a psicologia superficial do Dr. Google, que a nossa atenção por tragédias ou brutalidades vai além de uma curiosidade psicológica e, combinado ao nosso instinto de sobrevivência, busca identificar ameaças.
Eis que os sustos continuam e, nessa semana, um “influenciador” foi preso em Florianópolis, temporariamente, por suspeita de estupro virtual de vulnerável. Foi preso em casa, de onde conseguia suas vítimas, menores, através de plataformas de jogos online.
Acho que estamos — todos — ameaçados. Lembrei dos 6 graus de separação e meu 1.º grau de separação de Jeffrey Epstein.
Faço muita questão de saber quem são, para não deixar ninguém chegar perto e aumentar para infinitos os graus de separação. Porque esperar que eles sejam presos definitivamente, infelizmente, parece que está longe de acontecer.
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