
Longe de mim duvidar, minimamente que seja, dos resultados das pesquisas. Isto aqui é só uma conversa com meu teclado e com você (tem alguém aí?).
Você já notou que, quando as respostas levam a empate na margem de erro, o resultado é, sempre, ou quase sempre, considerado negativo para o Lula?
Por exemplo: a pesquisa Quaest, contratada pela TV Globo e O Globo, divulgada na sexta-feira (14/08), indica que a intenção de votos dos eleitores autodeclarados independentes em Lula caiu, em menos de 10 dias, de 33% para 29%. Já Flávio Bolsonaro cresceu naquele grupo – segundo a pesquisa – no mesmo período, de 30% para 35%.
Mas veja, como disse Billy Blanco, em 1968, no samba Canto Chorado: “o que dá pra rir, dá pra chorar, questão só de peso e medida, problema de hora e lugar…” Afinal, esse resultado é negativo para o Lula e bom para o Bolsonaro filho? Depende de quem olha…
Ora, a margem de erro da pesquisa no grupo de eleitores independentes é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos. Então Lula tanto pode ter caído de 33% para 29%, como pode ter subido para 37%. Ou ter ficado nos 33% da pesquisa anterior. E Flávio Bolsonaro pode – também na margem de erro – ter subido dos 30% anteriores para 31%, ou caído daqueles 30% para 26%.
Por isso, me parece que a leitura dessa mais recente pesquisa pode levar os lulistas a cantar o Billy Blanco: o que dá pra rir, dá pra chorar… Não se pode tratar a coisa como negativa para um e positiva para outro. Até porque, na margem de erro, Lula segue na frente, ou colado no Bolsonaro, candidato do pai.
Eu me considero um realista esperançoso naquela definição do Ariano Suassuna de que o otimista é um tolo e o pessimista um chato. Admito a força da direita, mas tenho esperança de que o povo entenda o risco que ela representa…
Foram as reações de amigos que me fizeram lembrar o poeta paraibano.
Olha o que bombou num grupo de WhatsApp — integrado por alguns independentes com tendências lulistas, outros lulistas e alguns mais esquerdistas – logo que foi divulgada a pesquisa na sexta, 14/08:
AL – Pesquisa Quaest bem ruinzinha. Valei-me, meu padrinho Padre Cícero!
LN – Calma, L! Tá ruim, mas está bom também…
AR – Esse gado evangélico é um assombro!
AL – Eu fico pasmo com a resiliência de uma candidatura podre como essa. O rebanho é mesmo grande.
LN – Não cresceu durante esse período. É enorme, mas ainda está estagnada. Sou um pessimista esperançoso.
AL – Mas a diferença apertou muito. Principalmente, mas simulações do segundo turno. Será que vamos sofrer até o último minuto?
(A partir daqui, o futebol entrou na conversa e eu volto ao grupo daqui a pouco porque o futebol vale a pena. Talvez mais que a política),
Pois, exatamente, os resultados das simulações de segundo turno é que me deixam mais esperançoso na capacidade que o povo tem de não se deixar enganar pela desinformação e pelo reacionário discurso do anticomunismo espalhado pela direita estagnada no século passado.
Vamos lá… Essa pesquisa mais recente da Quaest mostra, no primeiro turno, Lula com 38% dos votos. Apenas 3 pontos percentuais menos que a soma dos – até agora – mais fortes adversários: Flávio Bolsonaro (31%), Caiado (4%), Renan (4%) e Zema (2%).
Se eu fosse, como diz Suassuna, um tolo otimista, aplicaria a margem de erro de dois por cento para mais no índice do Lula e para menos nos demais. E teríamos Lula com 40%, Flávio com 29%, Caiado e Renan com 2% cada e Zema fora… Ficaria 41% contra 31% e Lula seria tetra no primeiro turno. Mas isso é meio bobo mesmo…
Vamos às simulações de segundo turno. Temos:
Lula 43% x Bolsonaro 40%.
Lula 44% x Caiado 37%.
Lula 44% x Renan 36%.
Lula 45% x Zema 34%.
Ora, o que leva candidatos que não têm mais de 4% dos votos no primeiro turno a aparecer, numa eventual segunda volta, com mais de 30%, 40%? Minha opinião: quem diz que vota no Lula, vota porque ele é o Lula, que governa o país – com todos os problemas e equívocos que conhecemos – pela terceira vez. A terceira diretamente e outras duas, por – como diria o vovô – interposta pessoa.
E quem diz que vota no Flávio Bolsonaro, vota porque ele é contra o Lula e não porque ele é capaz de administrar o país.
Aliás, por falar em administrar o país, abro parênteses para lembrar a competência da atuação da equipe bolsonarista em duas ocasiões: numa, o pessoal “se enganou” e incluiu no currículo do candidato cursos que ele nunca fez… Noutra, acharam que eram spam e-mails alertando para tentativa de filiar o Bolsonaro noutro partido e desfilia-lo do PL. Grande assessoria, não??
De volta à pesquisa. Como se explica o crescimento das intenções de voto nos adversários de Lula no segundo turno?
Minha opinião: o pesquisador pergunta à eleitora, ao eleitor em quem votaria no primeiro turno e entrega um disco com os nomes dos candidatos. O cara responde: “Flávio Bolsonaro”.
Aí, segue a pesquisa: o pesquisador entrega uma ficha com os nomes de Lula e Caiado e pergunta em quem a eleitora, o eleitor votaria. Ora, a pessoa acabou de dizer que votaria no Bolsonaro no primeiro turno; por que escolheria Lula no segundo turno?
Então, volto ao que disse ali em cima: quem vota no Lula, vota porque ele é o Lula. Quem vota no Flávio Bolsonaro, no Caiado, no Renan, no Zema, vota porque eles são contra o Lula.
Outra coisa que, acho eu, reforça minha opinião é o resultado da pesquisa espontânea, quando o pesquisador não apresenta nome de nenhum candidato. Aí, Lula aparece com 25% dos votos. Com 3% de vantagem sobre a soma dos outros. Na espontânea, o Bolsonaro 2026 tem 19%. Os outros, somados, não passam de 3%. E 51% do eleitorado se dizem indecisos.
Ontem, começou a campanha para valer. Agora, o pessoal pode ir para a rua, fazer comício, distribuir panfleto, publicar propaganda na internet, nos jornais, fazer carreata e passeata. De 28 deste agosto até 1.º de outubro, os candidatos poderão, se a gente quiser, claro, entrar nas nossas casas pelas telas das TVs e pelas ondas do rádio.
Até agora, me parece, Lula, pode jogar parado. Por enquanto, não vai nem aos debates. Fica assistindo à briga na direita… Vai deixar, principalmente Caiado e Renan Santos, como já se viu, batendo em Flávio Bolsonaro para ocuparem o lugar dele (Bolsonaro) no segundo turno. Zema vai continuar fingindo que quer chegar…
Não dá para ser um tolo otimista e garantir que a direita está derrotada. Mas dá pra crer na sabedoria popular: melhor buscar um tetracampeonato do que cair para a segunda divisão…
Ah, é!! Voltemos ao futebol, dizia o AL lá no grupo:
… será que vamos sofrer até o último minuto, como nos jogos do Vasco e do Botafogo? Aliás, ontem (acréscimo meu: o Botafogo tinha levado um escandaloso 6×1 do equatoriano Cieciani e o Vasco empatado em 0x0 com o paraguaio Olimpia)… Volta o AL: vou parar por aqui.
E, reforçando que o que dá pra rir dá pra chorar, abro espaço para um gaúcho renegado. Diz ele que a dupla Grenal deu sorte no sorteio das quartas de final da Copa do Brasil: pegou os dois piores times do torneio… Sutil, não?