
Tem como não amar um filhote de cãozinho fofo? E alguns segundos depois odiar o fato de que ele destruiu seu sapato, o controle da TV e a borda do sofá?
Nada é garantido ou constante nessa vida, mas algumas coisas nos levam do amor ao ódio muito rapidamente, especialmente as coisas úteis a que nos acostumamos, quando elas não funcionam.
Já precisou da internet para algo quase tão importante quanto ver memes e vídeos de gatinhos e ela não funcionou?
Entrar no aplicativo do banco pra fazer um pix, mas o sistema está indisponível no momento, tente mais tarde… Mais tarde não existe na era digital, o que não for agora, não vale de nada.
Dia desses precisei agendar uma cirurgia. Sem poder andar, disseram que poderiam autorizar e agendar pelo aplicativo. Ok, amo a facilidade de fazer tudo virtualmente, sem custo ou sofrimento. Que ingenuidade. O custo é emocional e o sofrimento é real. O sistema não estava funcionando, depois faltou o verso de um documento que estava em branco, mas mesmo assim deveria ser enviado, depois o sistema sofreu instabilidades. Dias viraram semanas, e contando, pois ainda estou aguardando a resposta.
Uma amiga contou que foi ajudar a mãe a se cadastrar num site de vendas, pra comprar uma batedeira nova. Virtualmente, pois ela mora em uma cidade, a mãe em outra. A internet caía, a mãe não entendia, ela se irritava, o sistema não ajudava, a senha precisava de um caractere especial e a mãe dizendo que eles queriam era roubar os dados dela, porque a amiga da filha da vizinha do porteiro passou por isso.
A Alexa fala até com o gato da casa, mas não encontra aquela música que você tanto quer porque o banco de dados dela é em outro idioma.
O aplicativo do horário dos ônibus te avisa se vale a pena correr ou não, mas não diz quanto tempo o veículo está atrasado.
A senha não funciona? Cadastra uma nova, mas, ao colocá-la, te diz que não pode usar a senha anterior e você já não sabe mais se estão de sacanagem ou se digitou alguma coisa errada.
Detesto mídias sociais, mas, sem elas, não perderia meu tempo sem qualidade e nem ficaria sabendo das histórias aleatórias pelo mundo. Por outro lado, sem elas não consigo mostrar o que eu escrevo.
E agora, amor ou ódio, fã ou hater? Vou pessoalmente, mancando de muleta, ou continuo tentando autorizar um procedimento pelo aplicativo?
Ainda não decidi, mas minha amiga, aquela da mãe que só queria uma batedeira nova, foi pessoalmente até a cidade da mãe, onde compraram a batedeira, juntas na loja do centro da cidade, aproveitando um final de semana com bolo de milho com coco e muito carinho, ao vivo, em cores e sem sinal de internet.