
Não vire as costas para a celebração. Celebrar pode ser a transmutação da dor. Dançar, cantar, conviver é fundamental para o nosso equilíbrio interno e externo. Quando nos fechamos para o que está ao nosso redor, podemos, sem ter consciência, obstruir a vida que pulsa e pede convivência e trocas. Pede criatividade, fé, confiança e arte. Indícios do que é possível fazer por nós e pelo outro. Viver desencantado é morrer aos poucos. Os momentos de celebração são muito poderosos. Colocar a alegria ao lado da dor no nosso cotidiano é uma maneira de resistir com equilíbrio. Na simplicidade, sem querer aparentar o que não se é, a convivência torna-se autêntica e, consequentemente, verdadeira. Felicidade não é a ausência de dor. Somos feitos de luz e sombra, e é fundamental equilibrar essas diferenças ou arestas. Entre a luminosidade e a escuridão, a tristeza vai aparecer em alguns momentos, assim como a saudade, o que não é sinal de fracasso. Até porque a alegria pode se fazer presente na dor. Vulnerabilidade não é sinal de decadência. Assim como a morte não encerra o amor.
É como diz a música “Vivendo e aprendendo a jogar”, de Guilherme Arantes, cantada lindamente por Elis Regina.
Os diversos grupos que encontramos e que se reúnem para celebrar a vida criam um movimento que estimula nossos valores, nossos costumes, nossas verdades, nossas buscas e as tantas misturas que revelam nossas origens. Viver é aprender a jogar! É valorizar a cultura que nos representa, nos dá raízes e que devemos espalhar e dividir. Não podemos nos fechar para a vida que pulsa. Perceber o quanto uma festa autêntica alimenta a autoestima das pessoas, de um povo, ao reunir grupos diversos, é muito necessário. Assim como dar continuidade aos ciclos do viver, que muitas vezes são inesperados. Nas relações que estabelecemos, de um modo geral, não podemos nos perder de nós, da nossa essência, dos nossos valores, mas precisamos estar abertos para os outros e suas manifestações culturais, que podem se somar ao que somos e enriquecer ainda mais o nosso cotidiano.
Reconhecer as nossas limitações e procurar ultrapassá-las com sabedoria, sem negar as fragilidades e os medos que nos consomem, é um ato de coragem. Aprender com o outro, assim como ensinar, enriquece. Celebrar com o outro liberta. E aqui é impossível não fazer uma referência ao encontro dos slerianos na noite de 21 de julho. Fomos recebidos com muito carinho pelo Luiz Fernando Moraes e pela Márcia, e brindamos o grupo que formamos nesses quatro anos. Uma celebração que fortaleceu nossos laços afetivos e nossa vontade de seguir aprendendo através da escrita de cada um.
Como diz o psicanalista Altair Sousa, “viver muito e bem não é um segredo. É um jeito de atravessar a vida. Cuidar do corpo, descansar quando for preciso, alimentar-se com equilíbrio, manter-se em movimento, cultivar bons encontros, zelar pela nossa saúde mental e preservar aquilo que dá sentido à existência. A longevidade não nasce de uma fórmula. Ela vai sendo construída, todos os dias, nas pequenas escolhas que fazemos por nós mesmos”.