
“Quando você dá defeito, a cobrança é gigantesca”. “Na inveja é preciso ver o que você quer do outro”. “Não são as mulheres que pleiteiam guerras, abusos, etc. e tal, e isso é relevante. As ações das mulheres são pela vida, pelo cuidado, pela atenção, pela solidariedade. Os pais estão muito desautorizados hoje. Tudo está na rede social, que tem milhões de palpites. Vivemos um momento de falsas expectativas” – Vera Iaconelli, psicanalista, escritora, mestre e doutora em psicologia pela USP. Diretora do Instituto Gerar e colunista da Folha de São Paulo, é referência nacional em debates sobre parentalidade, maternidade e os impactos sociais na saúde mental. Questões que precisam ser abordadas com muito cuidado e atenção, porque as novas gerações estão expostas a tudo e necessitam de orientação e firmeza para seguir com liberdade e responsabilidade.
Paulo Betti, ator e diretor, filho de mãe benzedeira, que recomendava o uso de um galho de arruda na orelha. O que comento a seguir é apenas uma pincelada da ótima entrevista que ele deu para o ICL Notícias – @paulobetti no Instagram. Quando jovem, viu o filme “O Pagador de Promessas”, ouvia Geraldo Vandré e Beatles. Vivíamos uma ditadura cruel, que se estendeu por 21 anos – de 31 de março de 1964 a 15 de março de 1985. A posse de José Sarney marcou o retorno da presidência civil, o direito ao voto da população, a democracia tão esperada pelo povo brasileiro. A política entrou na vida de Paulo Betti quando Lula apareceu, e ele levou um galho de arruda para o nosso futuro presidente colocar na orelha. Vivemos uma época de civilidade e de respeito na política, mas hoje há muita brutalidade. Para Paulo Betti, as novelas são um fator de progresso porque mostram as várias faces do país e estimulam a formação da consciência de classe ao colocar a diversidade humana em cena.
Estamos adoecendo por conta dos excessos
Já o psicanalista Altair Sousa faz um alerta necessário para não perdermos valores fundamentais na condução da nossa vida cotidiana: “A gente precisa, com certa urgência, voltar a falar de amor, de esperança, de generosidade, de gentileza. Voltar a olhar para uma pedra e ver poesia. Deitar ao relento, nas noites estreladas, e observar o céu. A fazer pedidos a estrelas cadentes, a acreditar na boa sorte. Não estou propondo aqui que voltemos a ser ingênuos. Mas que retornemos a essas miudezas que tanto nos humanizam. A gente está adoecendo dos excessos. Não basta a casa, é preciso ser o prédio inteiro. Não basta a porta que nos caiba, é preciso ser uma porta gigante. Não basta um amor nos detalhes, a gente quer ser amado por todos. Talvez seja justamente nesse excesso de querer tudo que estamos esquecendo certos valores”. O excesso nos coloca numa redoma e nos tira da realidade, o que pode embaçar o nosso olhar para o outro.
“Arte é quando você coloca um pedaço da sua alma no mundo e alguém se reconhece nela”. E é! – De um post do ator, mestre de cerimônias e contador de histórias Jairo Klein, que admiro muito. Já disse que a arte sempre foi meu refúgio. E quando um ator coloca sua alma no palco e se entrega sem medo, com certeza nos leva junto, nos faz rir, chorar, refletir e querer mais. O mesmo acontece quando um diretor de cinema traz vivências dolorosas escondidas pela ditadura militar brasileira e mostra o que realmente aconteceu com sensibilidade rara. É o que fez Walter Salles em “Ainda Estou Aqui”, a partir do livro de Marcelo Rubens Paiva, que conta a história da mãe, Eunice Paiva, mulher que dedicou sua vida à procura do marido, Rubens Paiva, que desapareceu durante a ditadura.
As vozes da arte, que são múltiplas, provocam reflexões, acolhem e aliviam nossas dores, sem negar a possibilidade de aprendermos com a dor.