
Outono com cara de verão. Mas com caqui, goiaba, pitaya, araticum… Estamos no final de abril e o calor segue intenso. E com ele precisamos conviver com os mosquitos, entre outros bichinhos indesejáveis. Como já venho comentando, com as temperaturas elevadas, mais insetos, entre outros vetores, andam nos rondando. Ando com picadas nas pernas e nos braços. Pelo menos, nesse ano a dengue deu uma trégua por esses arredores.
Pois recebi diversos retornos sobre o texto da semana passada (se não leu ainda, clica aqui).
Realmente, somos presas fáceis para eles, que são mais resilientes e conseguem se esconder bem dentro de casa, debaixo de móveis, atrás de cortinas, em qualquer cantinho fora do nosso ângulo de visão.
Suspeito que recebi uns 15 retornos de leitoras e leitores sobre esse texto. Uma delas dizia:
“Um colega médico sensibilizou-se e teve o trabalho de organizar um site de utilidade pública, e pede ajuda para difundir o trabalho. Ele sozinho levantou todos os pontos no Brasil, onde há soros contra venenos de animais peçonhentos.”
Depois disso, saí atrás do site e seu autor. E localizei.
Eduardo Cruz explica: “Depois de ver uma notícia de um menino de 3 anos que faleceu por uma picada de escorpião devido ao fato de ter sido levado a um hospital que não tinha soro, resolvi criar o site.
Usando dados do SUS/Ministério da Saúde e a localização do celular, ele indica de forma simples e rápida qual o hospital referência mais próximo de você. É bem simples, mas funciona. Testem e, por favor, ajudem a divulgar.
E esta plataforma não foi criada por um médico, mas sim por Eduardo, morador da capital paulistana, de forma totalmente voluntária. A iniciativa busca agilizar o atendimento de vítimas de acidentes com animais peçonhentos. Batizada de “SoroJá“, a ferramenta informa quais hospitais estão oficialmente habilitados para armazenar e aplicar soros antiveneno. O espaço é muito útil porque, ao entrar, se você der a sua localização, ele indicará a unidade mais próxima de onde você está e a mais adequada conforme o tipo de acidente e a sua localização (aqui em Porto Alegre, o HPS é o lugar mais indicado para isso).
Ele me revelou: “Sou formado em administração de empresas, não sei programar, fiz o site com ajuda de uma IA.” Eduardo conta que tem recebido centenas de mensagens por dia devido à plataforma. Está no ar há cerca de uma semana e o site está tendo muita procura. Ele disse que, até quarta-feira, dia 22 de abril, a plataforma já tinha milhares de acessos.
Eduardo tem 44 anos, é empreendedor e está montando seu próprio negócio. É pai de dois meninos, um de quatro e outro de seis anos. Justamente por ser pai, ficou sensibilizado com a morte do menino Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, dias atrás. O garoto foi atendido em um hospital em Conchal (SP), só que não resistiu após ser picado por um escorpião. Tudo porque a instituição onde o menino foi levado não dispunha do soro necessário para o seu caso.
Em conversa pelo telefone, Eduardo demonstrou estar surpreso com a repercussão da sua iniciativa, pois apenas postou sua mensagem sobre o site no grupo do condomínio onde mora e da família. A mensagem chegou a ser modificada no começo, há versões de que o autor do site seria um médico, outra de um colega de turma… Ou seja, isso serve para lembrar que é preciso muito cuidado para passar para frente alguma mensagem.
O que o Eduardo mais quer agora é que algum órgão oficial, como o Ministério da Saúde ou outra instituição sanitária, receba a plataforma como uma doação e o mantenha atualizado. “Não quero nada em troca”, sentenciou. Ele confessou que ficou tocado com tantos retornos de pessoas que não sabiam da importância desse tipo de informação, inclusive bombeiros e policiais.
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