
A pauta do último debate dos candidatos à presidência da República era sobre as propostas de cada um para o Brasil. Mas não foi o que aconteceu. Sem argumentos e sem ética, o candidato da extrema direita ironizou a falta de um dedo de Lula. Confesso que fiquei chocada com tamanho desrespeito. O medo tomou conta, as lágrimas brotaram nos meus olhos e eu me perguntava insistentemente: o que vai acontecer com as pessoas com deficiência se essa criatura tão preconceituosa e nefasta vencer? Pouco depois, em ato de apoio à criatura no Rio de Janeiro, uma atitude racista provocou mais um choque: um empresário* levando um negro acorrentado.
“O que uma sociedade precisa ter naturalizado para transformar um homem negro acorrentado em espetáculo político?” O que levou esse homem a se submeter?
Mas, no dia 25 de outubro à noite, votos apurados, respirei aliviada e comemorei a reeleição de Lula com amigos. A familícia perdeu, mas sabemos que não será fácil governar com um Congresso minado pela extrema direita. Gente ambiciosa que só tem olhos para seus umbigos, seus salários pagos por nós e seus patrocinadores. Mais as interferências de Trump, que morre de ciúmes do protagonismo de Lula e deu “um colinho” para o perdedor que fugiu e se diz injustiçado.
O que me estimula é que, nesta campanha, formamos um exército maravilhoso, consciente, voltado para o bem comum, que levou milhares de jovens às ruas. Voltei meus olhos para a democracia do Brasil, país respeitado no mundo inteiro por conta do posicionamento e da sobriedade de Lula no governo, que, assim como se impõe internacionalmente com firmeza, não tira os olhos do povo e do que este povo precisa para viver com dignidade. As políticas públicas criadas por Lula, que já citei em artigo aqui na Sler – são justas, abrangentes e fundamentais para a população.
Definitivamente, o Brasil não cabe no quintal de ninguém. O país é nosso! A campanha e a reeleição de Lula deixaram claro que não queremos retrocesso. Nosso compromisso agora é preservar as conquistas com dignidade e mostrar os perigos do fascismo. Não queremos deboche de quem não sabe o que é respeito e aprendeu com o pai a fazer piadas e motociatas enquanto a Covid-19 matava mais de 716 mil pessoas porque os remédios não chegavam e o governo não estava nem aí. Sabemos que não foi “só uma gripezinha”, como dizia o tal presidente, que também fazia questão de afirmar que não era “coveiro”.
Nossa soberania se mantém. Não vamos viver a barbárie sob o comando de quem não tem caráter, é prepotente, não sustenta o que diz, nunca teve olhos para o povo e foge quando o cerco aperta. Basta! Como escreveu o cineasta Jorge Furtado: “Melhor, impossível. A democracia, a solidariedade, a alegria, o bom senso, derrotaram o totalitarismo, o egoísmo, o ódio e a ignorância. Os racistas, machistas, homofóbicos e negacionistas perderam. Viva o povo brasileiro! Obrigado, mulheres; obrigado, Nordeste! Obrigado, Lula! Te devemos mais esta!”
*Duas empresas das quais o empresário Carlos Eduardo Martins é sócio têm dívidas superiores a R$ 1 milhão, segundo levantamento da Alma Preta, divulgado após a repercussão do vídeo gravado em ato de apoio ao candidato do PL no Rio. Nas imagens feitas no dia 24 de outubro, Martins aparece segurando correntes presas a um homem negro.