
Gratidão, querido Boy George,
É o que sinto ao te ver
Na tocante postura de lorde
Em meio a tanta vassalagem
Num meio tão cruel
Tiveste raríssima coragem
Tolos e maus andaram te vetando
E deve ter sido difícil
Mas isso acaba te valorizando
Porque a tua linda altivez
Ali, logo adiante,
Será selo de sensatez
Ah, os “Justos entre as Nações”
Havia riscos, mas se eternizaram
No fundo dos nossos corações
Curiosa essa tua ruptura
Aqui em Porto Alegre
Tinha o Clube de Cultura
Já foi um recanto de coragem
Criado por judeus
Pra manter a sua linguagem
Tinha o nome da tua banda
E isso muito simboliza
Sobre o valor que te agranda
Tens nome de um beatle menino
Sempre achei isso bacana
Tua grandeza é coisa de destino
Do solo daquele linda guitarra
Talvez venha a influência
Pra esta tua destemida garra
“Love to love” já era um traço
“Abra teus olhos e verás”, dizias
“Todos devem sentir como faço”
A linda canção com sua letra
Deveria bastar
Para te aliviar de tanta treta
Esse teu apelo é à razão e ao coração
E sobretudo deveria constranger
Os silenciosos hipócritas da omissão
Te vejo e penso na França do Zola
De Germinal a “Eu acuso”
Ele enfrentou os cínicos de lá
Tu és o Zola dos nossos tempos
E com a mesma personalidade
Vais enfrentar os teus tormentos
Mas persistas apesar da dor
Porque te asseguro:
De nós, só receberás amor
Ora, veja bem, “amar para amar”,
O título da tua balada, descreve
O que precisa nos alavancar
E já dizia o Quintana com carinho
Eles passarão, podes ter certeza
Porque sempre seremos passarinho
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Por acaso ou nem tanto (o freudiano Nelson Asnis, que vem a seguir nesta mesma coluna, pode me esclarecer), os versos acima têm 18 estrofes. E 18 é o número que corresponde à palavra vida (“Chai”) em hebraico. É só acaso, querido Nelson? Ou um lindo ato falho?
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Garoto George e sua voz de passarinho:
You say genocide, I say war
When you’re attacked, that’s what the army’s for
Does it get ugly? You bet it does
When I know you wanna kill
Every last one of us
Every last one of us
Every last one of us
You never mention October 7
Young girls raped against trees
Murdered brutally
For the crime of dancing
You condemn the Jews, with selective memory
Musicians holding flags, mouthing like sheep
Propaganda fuelled by the Internet feels so weak
[Chorus]
But trust me, we will dancе again
We will dance again
We will dancе again
And there will be no war
But if you’re ever confused
I stand with the Jews
I don’t feel brave, I just need to behave like a human
But trust me, we will dance again
We will dance again
We will dance again
And there will be no war
But if you’re ever confused
I stand with the Jews
I don’t feel brave, I just need to behave like a human
[Chorus]
But trust me, we will dance again
We will dance again
We will dance again
And there will be no war
But if you’re ever confused
I stand with the Jews
I don’t feel brave, I just need to behave like a human
[Outro]
אתם אומרים רצח עם, אני אומר מלחמה
כשבאים להרוג אותך
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Mais um livro do meu querido amigo Nelson Asnis
Mais que um novo livro, mais uma obra essencial do amigo citado ali em cima.
Aqui mesmo na SLER, eu resenhei o ótimo e muito elucidativo “A síndrome do especto antissemita”.
Agora Nelson conta, com muita lucidez e imagens que fazem a alma doer, “A guerra de Gaza que eu vi”.
“Na guerra, a mentira custa vidas. Na paz, a omissão custa o futuro.”
“Quando a mentira se instala como método, dizer a verdade se torna um ato de primeira necessidade.”
“Não prometo neutralidade; ela seria, neste contexto, cumplicidade.”
Que frases, meu amigo.
A prefaciadora, a não menos querida Daniela Russowsky Raad, presidente da Federação Israelita do RS, escreveu bem sobre o livro: “O livro ‘A guerra de Gaza que eu vi!’ começa com reflexões pessoais diante do retrato do horror visto em sua missão humanitárıa, em setembro de 2024. Os relatos são doloridos, nos fazendo sentır e enxergar, sem filtro, o terror testemunhado durante o massacre do Hamas em 7 de outubro de 2023. A conexão imediata é inevitável: ódio gratuito, antissemitismo e Holocausto. Nelson conecta dois acontecimentos que revelam o mesmo antissemitismo – o maior extermínio de judeus da história e o segundo dia em que mais judeus foram mortos. Através da memória da família Bibas, reconta o destino da família Frank.
Vemos se repetir, em pleno século XXI, os horrores dos anos 40. Nelson discorre sobre a ideologia e o modo de ação do Hamas, grupo terrorista palestino que tem em seu DNA o projeto genocida não apenas de um povo, mas de destruição de um modo de vida civilizatório, ao custo da vida de judeus e palestinos. O autor expõe o cruel modus operandi do grupo, que se vale da desgraça e pobreza da população palestina subjugada, para impor sua visão de mundo radical que glorifica a morte. A partir disso, conecta os fatos ao termo cunhado em seu livro anterior: a Síndrome do Espectro Antissemita (SEA). Interessante também é a exemplificação da SEA no contexto da guerra enfrentada por Israel. O autor menciona ‘humanistas’, jornalistas e autoridades que, em vez de exigirem a rendição do Hamas e a libertação dos reféns — mais de 250 sequestrados em 7 de outubro —, escolhem acusar Israel por exercer seu direito de defesa, de existência. Trata-se, segundo o autor (afirmação da qual coaduno fielmente), de uma guerra existencial. Se há algo do qual não podemos acusar o Hamas é incoerência: suas ações são plenamente alinhadas ao seu Estatuto. Os incoerentes são os membros de uma sociedade dita civilizada, ativistas de direitos humanos que se prestam a contorcionismos para justificar ideais genocidários e antissemitas.”
A Dani fez a resenha por mim. Obrigado, presidente!
Mas o que acrescentar quando a concordância é de 100%? A canção do Boy George e o livro do Nelson são um motivo de esperança: estamos reagindo à crueldade ignorante. Estamos vivos. Estamos alertas. Como sempre, há mais de 3 mil anos, somos perseverantes na defesa do justo, mesmo que isso signifique enfrentar a carranca horrenda de um mainstream capaz de envenenar até sedizentes “humanistas” e “intelectuais”. Pra quem já combateu faraós, filisteus e nazistas, os assemelhados, como eu disse no poemão ali em cima, passarão.
Porque sobre eles voamos como um pardalzinho.
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Direto das minhas redes
No domingo passado (9), a Folha fez matéria interessante sobre a abertura de arquivos que mostram filiados ao partido nazista na Alemanha hitlerista. Muitos parentes atuais ficaram chocados ao ver os nomes de avós, tios, bisavós. De fato, choca, apesar de que muitos eram filiados não por convicção, mas por ser algo até automático diante do totalitarismo nazista. Mas o que de certa forma desidrata pra mim essa reportagem interessante é que agora mesmo, na nossa fuça, tem candidato de partido vendo legitimidade no estupro de judias, e nem uma advertência é feita, sequer se cogita a óbvia cassação. Pelo contrário. Dias atrás, vi ex-deputado muito fraquinho e constrangedoramente carente de personalidade, que se acha conhecedor da Argentina basicamente por informações panfletárias, assegurando que “a elite judaica” foi uma das responsáveis pela ditadura de 1976/83 (quando é todo o oposto!!!), e quase ninguém reagiu. Normal! Várias figuras dizem com a maior naturalidade que obscurantistas assassinos são legítimos e Israel deve ser apagado do mapa. E ninguém dá a mínima. Tudo normalíssimo. Por isso, uma matéria sobre a normalidade dos antecessores alemães desses caras de hoje, lá nos anos 1930, já não me choca. Estou vendo tudo igual inclusive na normalização.
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É exasperante (e indecente, inacreditável, inaceitável) ver brasileiros com sobrenomes italianos, alemães, espanhóis e portugueses escrevendo Israel entre aspas, logo Israel. Percebem o quão maluco é isso? Se começarmos a pensar em legitimidade de países (países sem aspas), sobram poucos. E justamente Israel é um país formado pelo seu povo originário, cujo retorno ao lar ancestral depois de tantas e tamanhas perseguições, segregações e violências é uma das maiores conquistas da Humanidade (e isso não significa descartar a convivência num reconhecimento mútuo com outro povo originário em seu próprio e justo país). Ao contrário do que esses antissemitas dizem, Israel é um dos países mais legítimos e necessários do planeta. Como podem cometer tamanho disparate? E tudo tratado com a maior normalidade neste ambiente estranho, em que são raros os Boys Georges. Monstros abomináveis, levianos, irresponsáveis, maus, canalhas, ignorantes!
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Resta-me desejar o que sempre desejo nas sextas-feiras em que esta coluna é publicada:
Shabat shalom!
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