
Alguém disse uma frase, mas prefiro não citar essa pessoa porque tenho desgraçadamente sérias restrições a ela e até mesmo a repudio veementemente por suas gravíssimas contradições ao mesmo tempo em que reconheço a importância de muitas das suas altivas posições ideológicas. Enfim, tenho convivido muito com esse tipo de desconforto, e não é fácil. Mas sua frase, em inglês (é americana), foi algo como “não basta ser antirracista, deve-se lutar contra o racismo”.
Também tem o paradoxo muito usado entre os alemães: se 10 pessoas estão sentadas à mesa, chega um nazista e ninguém se levanta, temos 11 nazistas.
Uso esses dois raciocínios para reforçar a minha coluna da semana passada e os exemplifico com algumas situações cotidianas ocorridas recentemente.
- Quando tem um delinquente que grita “Palestina do rio ao mar”, defende a aniquilação do Estado de Israel e você está junto e pouco se importa, você está virtualmente contagiado pelo antissemitismo do sujeito.
- Quando um delinquente comete o desplante de comparar a dizimação industrializada do povo judeu ocorrida no Holocausto com uma guerra e suas (sempre tristes) consequências, você está ao lado e não pondera, contagiou-se.
- Quando algum comerciante veta a entrada de judeus e israelenses e você frequenta o estabelecimento do delinquente como se nada, há uma contaminação da pestilência que deixa você tão podre quanto o criminoso dono do local.
- Quando você está num grupo real ou virtual, vê um delinquente falar os maiores absurdos sobre judeus e Israel e se cala alegando ser “debate ideológico” (infinitas aspas aqui), você está sendo conivente com um criminoso.
- Quando você vê um político que usa os conceitos clássicos do antissemitismo repaginados para uma linguagem mais atual, você está endossando o crime inafiançável que esse delinquente comete amparado pela normalização.
…
A sua inação é aberrante
O silêncio é pusilânime
E o define como farsante
Quando você aquiesceu
Agindo ou se omitindo
Tornou o crime seu
Você fala em neutralidade
Diante do algoz e da vítima
Com muita normalidade
Precisa ficar sempre claro
Ser neutro diante da vítima
Provoca muito desamparo
Se um dia chegar a razão
Você terá ideia
Dessa enorme solidão
É sortida a rima com “ão”
E me faltam aumentativos
Para lhe dar a dimensão
Não basta tergiversar
A falta do seu apoio
Dificilmente vá se apagar
Mede-se caráter por ações
(ou omissões)
Na Europa tinha canalhas
E os justos entre as nações
E não falo de algo remoto
Tem lobos que são cordeiros
E não merecem o nosso voto
Saiba que eu já não aguento
Gritei demais e com força
Minha bolha virou um gueto
Entenda que isso arde
Talvez lhe falte empatia
E se dê conta já tarde
Sartre escreveu aos judeus
Que é o ser ou o nada
E os controles são seus
Muito mais disso eu sei
Bastante já lhes falei
Confesso que já me cansei
Dois comentários do pé da coluna
Uma pessoa me perguntou: “Como pode alguém que escreveu o livro da Coligay escrever defendendo o sionismo?” Minha resposta foi certeira. “Justamente por isso, porque sou coerente. Jamais vou apoiar aiatolás obscurantistas medievais nem empunhar bandeiras dos seus proxies terroristas idênticos”. O “sionismo”, em suas diversas vertentes, é a defesa da autodeterminação do povo judeu no seu lar ancestral, depois de séculos em uma diáspora crudelíssima, com perseguições, segregações e violências indescritíveis.
Um dia vão se dar conta de tamanha estupidez?!
Tenho ajudado para que isso ocorra.
Este texto está sendo concluído na terça-feira, dia 23. A publicação estava agendada para o dia 26 cedinho da manhã. Na quinta-feira à noite, dia 25, eu estaria autografando meu livro “A Parteira do Bom Fim”. Espero que tenha sido uma noite inesquecível e, desde já, agradeço a todos os presentes que prestigiaram o autor e a lindíssima história de Dona Francisca.
Shabat shalom!
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